XuCruTinho
Segunda-feira, Março 31, 2008
 

Eu e minha mãe fazendo palavras cruzadas. Dúvidas surgiam, ela berrava do quarto dela pra mim. Dúvidas surgiam, eu berrava do meu quarto pra ela.

Então a pergunta que me surgiu era: dois países da América Latina que ficam na América Central. Logo berrei:

- Mãããe, só conferindo: Cuba é na América Central, né?
- Não, Cuba é na América Latina.

- Dona Solange, toda a América Central é América Latina.
- Claro que não, Gabriela!
- Jesus mulher!!! Claro que sim!!
- Gabriela, que América Central! Você quer dizer a América do Sul.
- Mulher de Deus, a América Central, aqueles paisinhos que ficam no meio das Américas do Sul e do Norte, com aquelas ilhinhas.
- Cuba fica na América Latina e não na América Central. que América Central é essa?
- América Latina é todos da América do Sul (menos Suriname e Guiana Francesa eu acho), Central mais o México.

- E México lá é latino, Gabriela!!
- JESUS CRISTO!

 
Segunda-feira, Março 24, 2008
 
eu na época que fiz a minha tatuagem não tinha muito o pensamento que eu tenho hoje. era meio sem noção. a questão é que se fosse hoje, eu não faria. por isso eu não aconselho ninguém a fazer tatuagem, porque como qualquer coisa nessa vida, você se enche daquilo ali e você simplesmente não pode passar uma água e tirar. porque o negócio não sai. aí você tem que andar por toda a sua vida com um desenho cravado na sua pele que simboliza uma época que você não está mais vivendo, que simboliza um pensamento que você já não tem mais, que simboliza idéias que você já superou. é andar por aí com um passado besta dando tchau pra todo mundo. não faz o menor sentido. se eu pudesse, eu tiraria. não porque ela ficou feia, mas porque tatuagem tem um significado. sempre tem. quando eu fiz as cerejinhas, eu quis fazer por diversos motivos. e esses motivos hoje pra mim são estúpidos, que não valem um desenho na minha pele que não vai sair nunca mais.

fora que dói MUITOOOOOO! antes de eu fazer a tatuagem, perguntei pra um monte de gente se doía e todo mundo falava "dói nada! é umas picadinhas só". MEN-TI-RA! gente, dói pra burro! é quase insuportável! horrível!

ah, e outra: hoje em dia todo mundo tem tatuagem. o diferente em breve serão as pessoas que não tem. na minha opinião já são. por isso, se você pensa em fazer tatuagem, pense muito bem. vai parecer super legal no início, mas depois que passar um tempo você vai começar a achar que aquele desenho já não combina mais com quem você é. porque a gente muda e o desenho não.

assim são com pessoas que eu por muito tempo levei comigo na minha vida.
perdi muito tempo com quem não queria compromisso. porque era cômodo, mais fácil, conveniente... sei lá. é como a tatuagem. tipo carregar na sua pele algo que já não vale mais ser carregado, um momento que já passou e talvez você esteja insistindo nos restinhos que ficaram. a diferença é que essa tatuagem de relacionamento a gente pode tirar, mas às vezes escolhemos permanecer com elas. como que pode...? gente que me sufocou e eu simplesmente não tirei de mim quando deveria.

bom, mas aí eu tomei vergonha e disse adeus pra encontrar alguém com quem eu realmente queria estar, alguém que valesse a pena cravar na pele. foi a melhor coisa que eu fiz. dá pra dizer que hoje estou feliz.
 
Domingo, Março 09, 2008
 
acho que desde que eu era um feijão eu tenho essa dúvida. uma dúvida existencial. porque convenhamos, a vida é cheia de armadilhas. é como a história daquela amiga que conheceu um cara perfeito e gentil, inteligente e de boa família, com um futuro profissional brilhante, e ele se apaixona por ela, promete mundos e fundos e ela também se apaixona porque ele é simplesmente incrível. a partir daí, duas coisas podem acontecer (basicamente, claro, afinal o ser humano é um pouco mais complexo do que "alternativa a e alternativa b"): eles se casam e são muito felizes entre um pepino e outro ou eles se casam e ela descobre que não é bem isso. ok, vamos acrescentar uma alternativa c. eles se casam e o cara bonitão vira um é ciumento psicótico que faz da esposa uma prisioneira do próprio lar. uma alternativa d também cabe aqui. ele e ela engordam uns 18 quilos e viram um casal de obesos cuja maior alegria é fazer campeonatinhos para ver quem consegue comer todo o cardápio do Burguer King.

pois é, a vida, pelo menos a minha, é assim. dúvidas corrosivas.

porque existem essas armadilhas, elas estão espalhadas por todos os lugares e elas podem manchar meu futuro e eu não terei a quem culpar senão a mim mesma. parece tão estúpido isso tudo, porque eu poderia simplesmente dizer "ahquesedane! eu vou viver e pronto!", mas... eu não consigo! quer dizer, não dá! porque não tem volta! vai soar idiota, mas eu senti isso quando fiz uma tatuagem. precisa ser lindo porque eu vou olhar pra ela por toda a minha vida.

só que na vida eu... eu disponho somente da minha capacidade precária e limitada de julgamento pra me auxiliar. me fala, não é de se desesperar?

e por favor, não resolve em nada dizer aquelas frasesinhas nissin miojo (três minutos está pronto) do tipo "mas se não fosse assim, não teria graça". sinceramente, eu não acho muito engraçado não ter a menor idéia de qual caminho seguir. quer dizer, vai saber? o que escolher?

eu não sei o que fazer.
e é por isso que, por enquanto, eu não vou fazer nada.
 
Sábado, Março 01, 2008
 
válidas orientações

Carla: e vc, o que escreveu hj pra eu ler?
Gabriela: nada minina. eu não parei um minuto. eu tenho que pensar o que vai ser do capítulo 24. eu só sei que vai sobre zac e mary. eles estão meio sumidinhos.
Carla: ah eu acho q tá equilibrado
Gabriela: e eu não sei (PRA VARIAAAR LÁ LÁ LÁ) como eles vão conversar sobre eles e tal. precisa de um super diálogo revelador. e confuso. drama drama drama.
Carla: mas eu achei que a sua personagem tinha dado uma repensada depois da conversa com a bianca.
Gabriela: então, mas ela precisa manifestar isso! e eu não dei nenhuma chance pra ela o fazê-lo. hehe. só que eu não sei como isso vai acontecer. tem que ser genial. e simples.
Carla: aff, que dificil hehehe.
Gabriela: AAAA eu sou a pior escritora do mundo, cara!!!
Carla: hahahahahaahaha.
Gabriela: duvido que os escritores são como eu, desorganizados!!
Carla: hahahaha. ai gaby.
Gabriela: cara, quem é que começa uma história sem ter IDÉIA de onde ela vai parar??
Carla: vc tem ideia sim, você já sabe tudo, só que tá escondido, vc vai descobrindo conforme vai escrevendo.
Gabriela: se eu fosse famosa e um jornalista me entrevistasse e me perguntasse: "e então Gaby, todo mundo quer saber: o casal vai ficar junto?". e eu diria: "minina, eu também não sei! o que você acha? me ajuda aí, dá um palpite". afe ¬¬.
Carla: vc ia responder "eu ainda não descobri, pq pra mim escrever é um processo natural. eu não prendo minha arte em caminhos pré-estabelecidos. meus personagens são livres"
Gabriela: mmm um jeito chic de dizer que sou desorganizada!
Carla: e ae td mundo ia dizer "ooooh". e o seu estilo de escrita ia ser discutido nas universidades. seria um fluxo de consciencia com coesão. pq o pensamento é cheio de paradoxos.
Gabriela: uau...
Carla: ia ser um sucesso.
 
Sábado, Fevereiro 23, 2008
 
continuando com os emails de amigas que sofreram por caras galinhas. esse é de novembro de 2002. é impressionante como alguns dramas da vida se mantêm atuais. divirta-se.

*******

Bom, eu não sei o que exatamente eu te contei por último a respeito da minha situação com o Rodrigo. eu acho que te contei que a gente pra jantar e comemorar o meu aniversário e que foi lindo, mas não rolou beijo *porque eu não achei que era o momento*. Muita coisa aconteceu depois disso. Nós continuamos no mesmo esquema. Com altos e baixos... Eu vou te contar os últimos episódios pra você ver a que pé que a gente anda.

Na semana passada, o Rodrigo estava todo esquisito. Ele olhava pra mim e começava a rir. Mas assim, ele ria mesmo. Como se estivesse com o riso frouxo. Parecia meio malandro. Na segunda foi assim, na terça também. Ele vinha me abraçar, me beijar, me dar oi, e dava risada. Ele já vinha rindo me cumprimentar. Eu perguntava o que era e ele respondia: "eu estou apaixonado, Vanessa". Eu: "por quem?". Ele: "Por você, ué". Eu não engolia. Era como se ele estivesse planejando alguma coisa. E ele estava meio malandro, parecia que estava debochando. O Rodrigo se declara pra mim o tempo todo, mas nessa semana passada, a semana malandra, ele estava fazendo isso de um jeito... Malandrão. Eu perguntava: "E aí, Rodrigo, tudo bem com você?". Ele: "Tudo ótimo, Vanessa, tudo maravilhoso, porque eu estou apaixonado por você..." e ia longe. O Rodrigo também vive me olhando. Aí quando eu olho, ele me manda um beijo. Mas nessa semana, até isso ele estava fazendo de um jeito malandro. Eu não estava gostando daquilo.

Aí na terça à noite eu fui à psicóloga. E sabe que quando a gente vai a psicóloga, a gente fica bem resolvida por uns dias. Cheguei na quarta-feira indignada com ele. Quando ele entrou pra me dar oi, já entrou rindo. Eu levantei pra cumprimentar e ele disse, rindo: "aaaa Vanessa! Não era pra você levantar". Eu: "Mas por quê?". Ele: "Porque eu tinha uma surpresa pra você" e ria mais. Aí me enchi: "Rodrigo, pára! Eu não estou gostando desse teu jeito todo malandrão! Não gosto! E mais: esse teu tipo não me convence". Aí ele ficou sério porque viu que eu estava mesmo irritada. E disse: "Malandro? Mas eu não estou malandro". Eu: "Está sim! Você não pára de rir! Parece que está debochando". Ele: "Eu não estou debochando, Vá". Enfim. Aí a gente ficou quieto e eu perguntei: "por que não era pra eu levantar?". Ele: "Porque eu tinha uma surpresa pra você". Eu: "Pronto, estou sentada de novo. Pode me dar a surpresa". Ele: "Não, tem que ser de primeira. Amanhã eu faço". Eu: "E por que eu tenho que estar sentada?". Ele: "Pra não cair de susto". Eu: "Mmm... E eu vou gostar da surpresa?". Ele: "Vai". Eu: "Muito?". Ele: "Muito. Quer dizer, você pode não gostar também".

Sabe, Gaby, o Rodrigo não é do tipo que faz esse suspense todo e chega no outro dia com uma florzinha. Eu tinha certeza de que ele ia me dar um beijo. Fiquei super nervosa. Mas tentei não pensar tanto, não ficar programando reações. Deixei pra ver como eu reagiria na hora, pra ser espontâneo.

Ele sempre aparece no meu setor lá pelas duas da tarde, que é o horário que ele chega pra trabalhar. Nesse dia da surpresa, ele chegou às três. Provavelmente ficou se enrolando porque estava hesitando sobre o que ia fazer. Só sei que quando deu três da tarde, ele entrou no estúdio todo decidido. Eu fiquei só olhando ele chegar. Gaby, ele veio seco pra me dar um beijo. Mas na hora H, não teve coragem. E beijou do lado da minha boca. Mas assim, um beijão demorado e gostoso, sabe... Aí enrolou os braços no meu pescoço e escondeu o rosto no meu pescoço. Eu achei engraçado a covardia fofa dele. E perguntei: "O que foi Rodrigo?". Ele: "Nada não". Eu: "Cadê minha surpresa?". Ele: "Ah, era isso", se referindo ao beijo bem dado que ele me deu". Como eu vi que ele não queria falar muito do assunto, deixei quieto. Ele ficou ali, fazendo massagem em mim e me olhando.

Ele teve medo, Gaby, porque ele sabe, mesmo na ignorância galinha dele, que quando a gente se beijar, vai significar alguma coisa até pra ele. E o medo dele não é que, depois que ele me beijar, eu vá cobrar dele "agora que você me beijou, a gente vai ter que namorar, você vai ter que ser só meu". O medo dele é que ele queira ser só meu por livre e espontânea vontade.

Daí tá. Depois disso, ele tentou mais algumas vezes, mas não teve coragem.

Aí nessa sexta, dia 12 de novembro (só pra você se situar), ele estava um doce. Só que como eu já te contei, o Rodrigo às vezes tem crises. Tem dia que ele resolve que não quer mais sentir nada. Que ele quer voltar a ser só um cara galinha, sem gostar de mulher nenhuma. Numa dessas crises, ele já chegou a me chamar de irmãzinha. Eu sei, ridículo. Porque se tem uma coisa que nós nunca fomos é amigos. Nunca. Nada de "meu amigão Rodrigo". Nunca foi assim entre a gente. Aí nessa sexta, ele teve uma crise dessas. E quando ele tem isso, ele começa a querer me provar o quanto ele não presta. Aí ele me conta coisas sexuais cabeludas que ele já fez e profere frases machistas e cretinas.

Aí eu estava lá com ele e o Carlão, assistente administrativo. Antes de eu trabalhar lá na empresa, o Carlão era tipo o melhor amigo porcão do Rodrigo. Eles trocavam confidências sujas e conversavam coisas do tipo "nesse final de semana, comi Fulana" e "nooossa cara, que tesão! A Fulana que eu peguei era mó gostosa". Aí eu cheguei na empresa e o Rodrigo parou de dar tanta atenção para o Carlão e começou a dar mais atenção pra mim. Tipo, o Rodrigo passou a dedicar a maior parte do tempo pra mim, pra conversar comigo, pra ficar comigo, e deixava o Carlão totalmente de lado. E o Carlão por muito tempo teve raiva de mim por causa disso. Hoje ele gosta de mim, mas de vez em quando ainda me cutuca. Enfim. Aí estava eu lá no setor deles com o Rodrigo e o Carlão (eles trabalham na corregedoria e eu no recursos humanos), quando o celular do Rodrigo tocou. Ele: "atende pra mim, Vanessa, por favor e vê quem é". Eu olhei: "Não quero mais fazer isso, Rodrigo".

Pausa pra explicação: o Rodrigo come as gurias e depois elas ficam ligando pra ele, atrás dele desesperadas, só que daí ele não quer mais. Só quer comer e tchau. E por algum motivo, elas se apaixonam por ele. E uma vez ele pediu pra eu atender o celular dele porque era uma garota de quem ele estava fugindo. Eu atendi e, nossa, fiquei super sem jeito, me arrependi na hora. A garota ficou lá, achando que eu era namorada, sei lá, toda tímida e eu morrendo de vergonha, tentando ser simpática com a garota. Foi horrível. Eu desliguei e meti a boca no Rodrigo: "Nunca mais pede pra eu atender o seu celular! Os seus pepinos você resolve, não larga na minha mão! Nunca mais faz isso". Ele ficou todo perdido e essa foi a primeira vez que ele me pediu desculpas com todas as letras. Burra eu que atendi. Mas enfim.

Aí ta, a gente lá, ele pediu pra eu atender o celular, eu não quis e ele não atendeu. O Carlão nesse dia estava me cutucando, então já riu da minha cara quando eu falei que não queria mais fazer isso. Riu dando a entender "hahaha, a secretária do Rodrigo". Bom, aí deu um tempo, chegou uma msg no celular do Rodrigo. Ele olhou pra mim e fez cara de "ai", rindo. Eu perguntei o que foi e o Rodrigo leu em voz alta: "Na hora do bem bom, você é homem. Na hora que eu preciso de você, você some". Uma tal de Rebeca mandou pra ele. Eu revirei o olho, achando absurda a postura do Rodrigo. Ele: "Ah Vanessa! Comigo é assim". Eu argumentei com ele um tempo, dizendo que ser homem era bem mais do que aquilo e ele, no ápice da crise, disse que com ele era assim, que ele comia todas e não sei o que. Nessas alturas, o Carlão estava indo ao delírio, claro. O Rodrigo é o ídolo dele. O sonho dele é pegar mulher gostosa com o mesmo desprezo e na mesma quantidade que o Rodrigo pega.

Eu perguntei por que a garota tinha escrito aquilo e o Rodrigo disse, imitando uma criança choramingando: "Ai Rodrigo, você me comeu e agora não quer mais nada comigo. Ah! Por favor! Eu não sou psicólogo". Eu disse: "Tá, o que você falou pra essa garota pra ela estar atrás de você assim?". Ele: "Eu deixei tudo bem claro desde o começo. 'Ó, você quer me dar, beleza. Mas já aviso que eu não quero compromisso'. Comi e agora ela tá aí, choramingando, dizendo que eu sou insensível. Porra, tô errado?". Assim, Gaby, eu não vou defender a menina porque só fazem com a gente o que a gente deixa. E o Rodrigo é mesmo muito direto, ele faz questão de deixar bem claro o que ele pensa. Ele não tem vergonha de ser como ele é. Mas pô! Precisa ser tão porco assim?!

Fiquei super chateada. Então chamaram o Rodrigo, ele deu uma saída, e o Carlão, que estava indo ao delírio com a porquisse tão explícita do Rodrigo (e também porque o Carlão sabia que, com isso, o Rodrigo estava me decepcionando), disse: "O Rodrigo tinha que deixar bem claro pra essas mulheres que ele só quer comer o rabo delas". Olha isso. "Como ele quer fazer com a garota aqui da corregedoria". Eu: "Que garota?". Ele: "Ih, opa, falei demais", como se ele realmente tivesse deixado escapar. Mentiroso. O Carlão já mentiu várias vezes pra me deixar brava ou com ciúmes do Rodrigo. E eu e o Rodrigo sempre brigamos quando o Carlão faz isso. O Carlão adora ver a gente brigar. Mas ao mesmo tempo, pode ser que o Rodrigo esteja querendo dar um trato em alguma garota que trabalha lá na firma porque ele é porcão. É tipo 50% de chances pra cada coisa. Pode ser mentira do Carlão, como pode ser verdade. Aí quando o Rodrigo chegou, eu perguntei da garota. O Rodrigo disse que era mentira, meio rindo com o Carlão. Porque assim, o Carlão influencia o Rodrigo com muita facilidade quando ele está nessas crises de não querer sentir nada. Aí eu me irritei e saí.

Nesse dia eu ia embora de carona com o Rodrigo. Falei pra ele que ia esperar ele lá embaixo. E desci.

O Rodrigo chegou acompanhado de um amigo nosso, pra dar carona pra ele, com medo que de ficar sozinho comigo porque achou que eu ia estar brava. Mas como que eu ia ficar brava, Gaby? Eu não tenho nada com o Rodrigo. E não era eu quem ele tinha comido e largado na rua da amargura. Na verdade, o que acontece é que esse lado Jorge Tadeu Saddam Hussein do Rodrigo me assusta muito. Ele parece esse Dom Juan terrorista, que quer pisar nas mulheres e acabar com todas elas. Como se ele quisesse provar pra ele: "AÍ Ó, TÁ VENDO?! EU NÃO PRECISO DELAS! EU NÃO SINTO NADA, EU NÃO AMO NINGUÉM!". Ele chegou e perguntou pra mim: "Ta brava comigo?". Eu: "Não, ué". Aí eu fico quieta, não porque eu estou brava, mas porque eu estou pensando. Pensando nesse lado horroroso do Rodrigo. Ele chegou no carro já arrependido. Ele tem a crise e se arrepende. Aí ele quer me conquistar de novo. Fica todo cuidadoso, tentando me agradar, perguntando coisas.

Ai Gaby... que saco, viu. Eu gosto do Rodrigo, mas é nítido que não é pra ser. Eu estou morrendo de vontade de beijá-lo, mas o que eu faço com as 14 toneladas de insegurança que vou sentir depois do ato? Eu vou ficar paranóica pensando se ele vai me esnobar, se ele vai ter uma dessas crises de novo. Ai, eu estou pedindo ajuda pra Deus, porque eu sei que Ele não quer que eu fique com o Rodrigo. Quer dizer, ele é um doce, ele é lindo, ele é original... Eu gosto muito nele. Mas não dá! Eu não posso lidar com isso. Eu não posso estar com alguém que quer matar e destruir todas as mulheres do mundo. Tudo bem ser galinha, mas poxa, o mínimo de caráter. Gente, o mínimo!

Não sei, Gaby... Estou tão perdida. Eu cheguei em casa nessa sexta e caí no sofá de cansaço físico. Cansaço de me segurar perto dele, de querer beijá-lo e não poder, de ficar quebrando a cabeça, arrumando formas de me afastar dele, de lutar contra a minha vontade de voar no colo dele e mordê-lo inteiro, de me decepcionar com essas crises maléficas do Rodrigo. Eu estava completamente pregada. Eu não agüentei chegar na minha cama. Caí no sofá mesmo. E chorei. Chorei o que eu estava segurando por meses. Eu parecia aquelas loucas chorando. Quem visse, ia achar que eu ia estar tendo um enfarto. Eu chorei, chorei, chorei muito. Me derramei. Pedi socorro pra Deus porque eu gosto do Rodrigo, Gaby. E eu sei que ele gosta de mim. Eu vejo o quanto ele sofre também porque fica confuso, quer me beijar, mas sabe que não pode porque o que eu quero ele não pode me dar porque não está preparado. Porque a vida sentimental dele é muito imatura. A ponto de ele ter chiliques absurdos de ciúmes e nem se tocar que está sendo ridículo. Ele tem as demonstrações mais primárias do que está sentindo. É assim porque pra ele é novo. Ele não está com comportamentos automáticos, não possui vícios ainda, que a gente acaba pegando com o tempo, a medida que vai gostando de pessoas e tomando na cabeça.

Ai Gaby... Que saco, viu... Duzentas mulheres querendo dar pra ele e eu aqui, querendo casar virgem. É muito diferente. Não tem como ir pra frente. E como eu sofro...

Beijo, amiga.

Vanessa

 
Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008
 
Querida Gaby...

Lendo o seu blog, quis contar o que aconteceu comigo há um tempo atrás, quando me apaixonei por alguém que não era pra mim.

Eu entrei onde trabalho hoje como estagiária. Eu estava no último ano da faculdade e ficava lá só de manhã. Chegava às seis e meia da manhã, pra ajudar a minha chefe e saía sempre 13h30. Uma das minhas tarefas era organizar uns relatórios do que foi feito pela equipe da manhã “para o Juliano”, a minha chefe dizia. Eu digitava no topo da página “PARA O JULIANO” e escrevia o que tinha que ser escrito e imprimia. Deixava o papel sobre uma mesa lá na redação pro tal Juliano pegar e ia pra casa.

Claro que eu perguntei quem era o Juliano, por curiosidade. “É o produtor da tarde”, minha chefe disse. Beleza.

Bom, como eu era uma moça muito muito esforçada, comecei a ficar o dia inteiro na empresa. Comecei a me encher de coisa pra fazer, me oferecer para outro monte de coisas, até que, quando eu vi, eu estava trabalhando até às 17h. E olha que o estágio era de graça.

Um dia estava na sala da Andressa, outra produtora, conversando com ela e mais um monte de mulher, dando muitas risadas. Estava meio que no horário do almoço, única parte do dia que eu tinha uma folguinha. De repente, entra na sala aquele cara.

Pareceu câmera lenta. Entrou aquele garoto alto (tinha 1,90), pele branquinha, boca desenhada, cabelo castanho claro bagunçado liso caindo nos olhos, corpo bonito, calça da M Officer desbotada e camiseta preta com uma bandeira da Alemanha no peito, a camiseta era curta e aparecia as laterais do corpo, todo largado, nem aí. Lindo. Ele entrou, cumprimentou todas as meninas e saiu. E me largou babando por aquele ar de mistério que ele tinha, de bomba relógio, de perigo.

Perguntei na hora, discretamente: “Quem é ele?”.

A Andressa: “Esse é o Juliano. Não conhecia? Ele pegou duas semanas de folga, voltou hoje. Ele é bem queridinho, sempre vem aqui cumprimentar”.

Decidi que eu tinha que me aproximar dele. Queria saber mais. O cara parecia ter saído de um seriado!

Bom, comecei a ajudar mais o pessoal do setor dele. Como quem não quer nada, fui falar com a minha chefe dizendo que eu queria aprender mais e ela disse exatamente o que eu queria ouvir: “Melissa, por que você não troca uma idéia com o Juliano? Ele é um bom produtor, vai te dar umas dicas boas. Começa a ficar lá a tarde, pra você acompanhar o trabalho”.

E foi o que eu comecei a fazer. Apareci um dia no setor dele e lá estava, sentado ao lado do telefone, trabalhando. Entrei, pedi licença e expliquei tudo. O Juliano foi super simpático, disse que eu podia ir lá quando eu quisesse, já puxou papo e foi me explicando as coisas. Ele era ainda mais lindo de perto. O olhar dele te engolia. Ele tinha uma coisa que eu não sei explicar.

Comecei a ir lá todos os dias. E a gente conversava muito.

Conhecendo o Juliano eu descobri que ele realmente era perigoso. Tinha 23 anos na época, fazia aniversário um dia antes que eu e tinha uma filha pequena chamada Juliana. Com 23 anos, ele já tinha uma filha pequena! Levei o maior susto, mas imaginei que havia um lado bom: quem tem filha daquela idade deveria ser responsável e maduro. Engano meu.

Ter uma filha não o constrangia nem um pouco. Tocava em uma banda de rock, era extremamente galinha e comia mulher em banheiro de boate, comia mulher desconhecida, comia duas mulheres ao mesmo tempo. Era totalmente destrambelhado, curtia uma cerveja, tinha perdido o pai muito cedo (ele adorava o pai) e a mãe dele era uma maloqueira bonitona que criou os filhos meio largados.

Apesar (ou por causa) do histórico, mulheres de todas as idades davam em cima do Juliano. Na empresa, todas se abriam pra ele. O Juliano atraía com a sua cara de bebezinho e seu jeito perigoso.

Eu não sei te dizer em que momento tudo aconteceu, mas nós grudamos. Durante dois meses que eu ia lá diariamente, a gente se aproximou muito. E de um jeito que nem eu esperava. No começo, ele me tratava como irmãzinha. Me contava todas as porcarias que fazia quando saía a noite. Eu gostava dele, mas tinha plena consciência de que não tinha a menor condição de eu alimentar qualquer coisa (o cara era muito sem vergonha).

Mas com o tempo tudo mudou. Ele começou a me tratar diferente.

Na empresa, nós estávamos sempre juntos. SEM-PRE. Na hora de ir embora também, eu ia com ele todos os dias de carro até um trecho do caminho. Logo a minha chefe e as colegas de trabalho começaram a perguntar se estávamos namorando. Eu dizia que não, falava que não tinha nada a ver, que éramos só amigos. O que não era mentira, era só isso mesmo.

Perguntavam pra ele também, mas o Juliano não se incomodava. Pelo contrário, adorava. Vinha me contar com um sorrisinho sem vergonha, olhando no meu olho:

- Melissa, sabe o que vieram me perguntar hoje?
- Claro que eu sei. Estão perguntando pra mim também.
- E o que você acha de namorar comigo, Mê?
Eu olhava pra ele com uma sobrancelha levantada e dizia:
- Vai cagar, Juliano.

Ele se matava de rir.

Aí com o tempo, a gente ficando mais junto, ele começou a fazer umas coisas esquisitas
Espalhou que a gente estava namorando. Um dia, chegou pra mim, com o mesmo sorrisinho sem vergonha:

- Melissa, sabe a Dona Amélia, que serve o café?
- Sei.
- Veio perguntar pra mim se a gente está namorando.
- Mmm.
- E eu falei que nós estamos. Falei que eu tinha te pedido em namoro e você tinha aceitado.
- Falou?? Juliano, ficou doido?
- Não. Ela gostou, disse que já suspeitava. Me abraçou e disse que a gente combina.
- Ai... Ela disse que a gente combina?
- Disse. Ah, mas isso eu já sabia.
- Vai cagar, Juliano.

Eu xingava ele, meio rindo, e ele adorava. Se matava de rir. E me abraçava.

O negócio foi piorando. As pessoas perguntavam pro Juliano sobre a gente e ele confirmava, dizia que era namoro mesmo. Aí eu falava que não era, ninguém acreditava. Sabe o que ele fazia? Ia me visitar no meu setor, olhava pra mim e me cumprimentava, com o mesmo sorrisinho. Todo mundo fazia aquele “ÉÉÉÉ, TÁ NAMORANDO”. Eu fazia cara de ai-me-poupe e o Juliano com o mesmo sorrisinho pra mim, dava uma piscadinha, mandava um beijinho e saía, dizendo “Tchau, meu amor”. Eu nem tentava consertar.

Eu fazia caretas porque não poderia demonstrar que gostava dele. Se o Juliano sequer imaginasse como eu estava apaixonada por ele, com certeza me comeria viva! Sabendo dos meus sentimentos, ele poderia fazer o que quisesse. Eu não podia deixar, precisava me proteger.

E a gente cada vez mais junto.

Ele me tratava agora ainda mais diferente: com todo o cuidado, como se eu fosse de porcelana. Eu faltava ou tirava folga, ele me ligava no celular. Sempre. Pra saber onde eu estava, com quem eu estava... Uma vez, minha chefe me deu um dia de folga porque eu tinha feito umas horas extras. Aproveitei pra sair com uma amiga. E enquanto eu contava sobre o Juliano, de como as coisas estavam diferentes, que ele parecia se importar demais comigo, ele ligou no meu celular. A minha amiga não acreditou.

- Cadê você, Melissa.
- Oi Juliano. Estou de folga hoje.
- Mmm. E onde você está?
- Estou com uma amiga.
- Quem mais.
- Só a minha amiga.
- Estou com saudades de você, Melissa.
- Está nada.
- Estou sim.
- Não se preocupe, a gente vai se ver essa semana.
- Você sabe que eu te amo.
- Vai cagar, Juliano.

Ele dava uma gargalhada:

- É verdade, Melissa. Não tem a menor graça sem você aqui.
- Acostuma a estar sempre junto, não é.
- É.
- Mas então tá, eu tenho que ir.
- Eu te amo, tá?
- Eu também te amo. Beijos.

A minha amiga me olhava de olho arregalado.

Eu não levava o Juliano a sério. Não tinha como levar. Ele continuava comendo tudo o que era mulher que eu bem sabia. Tudo bem que ele não me contava mais as coisas, mas eu sabia que ele ainda era galinha.

E a coisa foi piorando. A gente saía sempre, mas claro, só programas diurnos. Ele me levava numa confeitaria bem gostosa perto da empresa, íamos passear no shopping depois do trabalho, eu ia comprar coisas com ele. Nós conversávamos muito. E puxa... Ele era tão carinhoso comigo. Tão gentil. Me dava presentinhos bobos, me levava no médico quando eu tinha consulta, me chamava de “pequena”.

Uma tarde ele entrou na minha sala e, como sempre, olhou pra mim com um sorrisinho sem vergonha e me cumprimentou, como se não tivesse ninguém mais por perto. As meninas começaram a tirar com a minha cara (elas não se cansavam), dar risadinhas e fazer piadinhas, e o Juliano fez algo que eu não acreditei. Falou:

- Bom meninas, eu queria oficializar pra vocês que eu e a Mê estamos mesmo namorando. Ela é o amor da minha vida.

Eu olhei pra ele e disse: “cala a boca, Juliano!”.

As meninas aplaudiram. E ele só rindo pra mim dizendo:

- Eu te amo, Melissa. Você é meu amor! – bem alto. A sala quase veio a baixo com os gritos das meninas.

E a nossa “amizade” virou assunto. Todo mundo comentava.

Vinham perguntar pra mim, eu dizia que não estava namorando com ele mas ninguém acreditava. Eu dizia “gente, o Juliano está só brincando, a gente não tem nada”. As pessoas diziam “ahan, sei... Vocês não se desgrudam! Não vem com esse papinho”.

Eu desisti. Nem falava mais nada.

A coisa foi ficando mais séria. O Juliano vivia agarrado em mim, abraçado, dizendo que me amava, me olhando com cara de bobo. Eu já estava com roupas dele. Casacos, moletons... Ele me emprestava pra eu levar pra casa em dias de frio. Levou o melhor amigo dele lá na firma me conhecer. O cara era do mesmo estilo dele, largado-bonitinho, só que menos bonitinho.

- Então você é a Melissa? – o amigo dele disse pra mim, rindo.
- Ahm, sou eu.

Saímos da empresa naquele dia e fomos prum boteco do centro tomar cerveja. Quer dizer, eles na cerveja, eu no suco de laranja. O Juliano me tratou como namorada. Segurou a minha mão embaixo da mesa e foi muito gentil. Eu estava me sentindo estranha, porque era sem hesitar uma situação de avaliação, mas não me deixei abater. Falei um monte e o cara riu pra caramba comigo.

Bom, a gente levava vida de namorado. Brigava bastante também, só não beijava.

O clima entre a gente estava cada vez mais forte. Um sábado a noite, quando eu estava me arrumando para sair, o meu celular tocou. Era ele. Meu coração disparou. Ele nunca tinha me ligado num sábado a noite.

- Juliano? Oi.
- Oi Mê. Em quinze minutos eu estou aí. A gente vai sair. Se arruma e desce. Beijos.

E desligou.

Ele parecia todo decidido no telefone. Como se quisesse resolver algo.

Coloquei uma roupa mais bonitinha e desci.

Ele estava no carro, me esperando. Eu estava MUITO nervosa. Morrendo de medo que ele quisesse só ficar, me agarrar e tchau, tirar uma cisma.. Sei lá. Não queria que ele me magoasse.

Entrei no carro mentalizando o seguinte “calma, é só o Juliano, o seu amigo. Vocês se dão super bem, não tem o que temer. Ele te respeita sim. Aja normalmente. Não é um encontro”.

Fiquei mais tranqüila e entrei no carro conversando normal. O Juliano estava mais quieto, só me ouvindo falar. Depois de umas piadinhas que eu fiz, voltou a ficar quieto. Só eu falava.

No lugar (fomos num barzinho cultural bem gostoso) o Juliano estava mudo. Parecia... Inseguro. Meu, eu não entendi nada, nunca tinha visto ele daquele jeito. Parecia um menininho apavorado. Não deixei me abalar, continuei normal, puxando assunto, conversando. Ele me olhava, sorria, mas estava totalmente amedrontado.

Ficamos lá até tardinho e fomos embora. O caminho inteiro fui pensando no que eu ia fazer quando ele parasse aquele bendito carro na frente do meu prédio. A minha barriga doía, eu estava com vontade de vomitar o que eu tinha comido, super nervosa. Eu tinha medo de dar a entender qualquer coisa errada, medo de ele pensar que eu queria que ele me beijasse só porque a gente saiu, que ele tentasse me agarrar de um jeito horrível, galinha, que me magoasse.

O carro parou. Eu disse “foi muito legal, Juliano. Não foi?”. Ele fez que sim com a cabeça, olhando pra mim, com aquela cara de quem está tomando coragem. Entrei em pânico. Falei “bom, acho melhor eu indo. Tchau, Juliano, obrigada”, dei um beijinho nele e saí correndo, fugida mesmo. Cheguei em casa e corri pro banheiro.

Na segunda, ele veio me dar oi com a maior cara de apaixonado. Eu também, né, toda suspirando. Ele perguntou como tinha sido meu final de semana. Eu falei “foi bom. A gente saiu”. O Juliano sorriu todo carinhoso.

Num dos dias que ele me deu carona, dei tchau pra ele e, quando eu desci, ele disse pela janela, já com o carro ligado:

- Melissa, amanhã eu vou fazer uma surpresa pra você.
- Surpresa?
- É. Não passa de amanhã.
- Olha lá o que você vai fazer, Juliano. O que que é? Eu vou gostar?
- Vai. Acho que vai. Quer dizer, não sei.

Eu sabia o que era. Era um beijo. Mas ele não ia ter coragem.

No dia seguinte, eu estava na minha sala sozinha, quando ele apareceu na porta. Ele me olhou sério e tomou coragem. Veio andando na minha direção, decidido, eu só olhando. Chegou em mim e... Não conseguiu, me beijou no canto da boca. Então escondeu o rosto no meu pescoço e disse “droga, eu não consigo!”, com voz de choro. Eu ri e passei a mão pelo cabelo dele. Eu sabia que ele não ia conseguir.

Na época, o diretor da empresa, nosso chefe, chamou o Juliano na sala dele. Deu uma bronca nele porque ele não saía da minha sala. “Não dá, Juliano, você tem que ficar no seu setor! Você não sai lá da sala da Melissa. Conversa com ela depois do trabalho, mas na hora do expediente você tem que cuidar do seu trabalho”. Sabe o que o Juliano respondeu: “Sabe o que é, Armando? Eu estou apaixonado pela Melissa. Não consigo mais ficar longe dela”. O diretor riu, achou bonitinho, e disse só pra ele maneirar as visitas.

Eu estava preocupada, sabia que ele tinha sido chamado na sala do Armando. Quando saiu de lá, o Juliano foi me ver. Chegou rindo com o Zé.

- Não era nada demais? – eu perguntei.
- Ele me deu uma bronca porque eu estou vindo muito aqui te ver e estou largando o meu trabalho.
- E aí?
- Aí eu disse que não conseguia mais ficar longe de você. Que estava apaixonado.

Eu ri, né. Lógico que não acreditei.

- Ai Juliano, me poupe a beleza.
- Verdade. Foi o que eu disse.

Como acabou essa história? Bom, o Juliano começou a querer me falar do que sentia, eu percebia que ele não agüentava mais aquela situação. Fazia milhões de convites pra sair. E me deixava arrumada esperando em casa. Me deu um monte de bolos. Medo puro. Ele quem me convidava! E me deixava plantada. Como se na última hora, se arrependesse. Na sétima ou oitava vez que ele fez isso, eu fiquei realmente brava. E meio que dei um gelo nele. Devolvi as roupas dele que estavam comigo e fiquei na minha. Parei de ir atrás.

Já era época de Natal. Dois dias depois, eu tirei 5 dias de folga. Quando voltei, o Juliano não trabalhava mais lá. Depois disso, nunca mais o vi. Como eu sofri.

Ele mandou um amigo dele me ligar um ano depois... Mas eu não dei corda.

No começo desse ano, o Zé, que sempre estava com a gente, veio me contar que o Juliano estava na Austrália estudando e que ele queria muito conversar comigo, queria meu msn. Cinco anos depois, gente. Desconversei.

Aí semana passada, o Zé sentou conversar comigo.

- Melissa, agora que já passou tanto tempo, que não tem mais nada a ver... Eu preciso te contar.
- O que?
- O Juliano era completamente apaixonado por você.
- É mesmo?
- Melissa, ele queria muito te contar o que sentia. Mas morria de medo. Eu queria ajudar o cara, mas o Juliano não saía da pose de machão, não admitia que queria namorar você. O único dia que ele soltou mesmo foi uma vez que nós fomos jogar sinuca, só eu e ele, tomamos umas cervejas e o cara começou a desabafar. Disse que nunca tinha conhecido ninguém como você, que te achava linda, que você era pra casar...
- Caracas, Zé.
- Ele dizia assim “Zé, com a Melissa eu caso. Eu quero casar com ela, cara. A Melissa não é qualquer mulher, ela é especial. É diferente. Quero casar com a Melissa, cara, quero mesmo”.

Eu fiquei passada, né. O Zé continuou:

- Pena que ele era tão frouxo, Melissa. Ele morria de medo de você. Não tinha idéia de como agir ao seu lado. Sabe o que ele fazia? Vinha com uns papos de que um amigo dele que sempre foi filho da puta estava completamente apaixonado por uma menina, mas como sempre tinha sido filho da puta e nunca tinha gostado de ninguém, não sabia o que fazer. No final, ele perguntava se eu achava que esse amigo dele devia conversar com a menina.
- E você dizia o que?
- Que sim, que ele devia falar.
- Caracas... Que engraçado.
- O Juliano só falava de você, Melissa. O dia inteiro. Pra você ter uma idéia, ele parou de dar moral pra mulherada aqui da empresa por tua causa. Um dia, uma lá que sempre dava em cima dele foi convidar ele pra sair, sabe o que ele fez?
- O que?
- Ele disse “Some daqui, piolhenta”. Me matei de rir. Eu vi ele fazendo isso! E a guria não era feia não. Ele tinha medo que alguém visse, te falasse alguma coisa e você ficasse pensando coisa errada, que não tinha a ver. Ele era louco por você, Melissa.
- Nossa...
- Pra você ver... E aquele dia do Armando, que chamou ele na sala dele e o Juliano disse que não conseguia ficar longe de você e tal, é verdade. Ele falou mesmo aquilo pro chefe.

É mole?

Até hoje eu lembro dele com carinho.

Três anos depois, eu conheci o Felipe. Lindo. E com caráter. Cheio de defeitos, mas meu amor. Ele sim soube me amar. Foi homem o suficiente pra vir e dizer o que sentia. Pra dizer que não conseguia parar de pensar em mim e que queria namorar comigo.

Mas essa história eu conto outra hora.

Pra você ver, essas coisas realmente acontecem...

Melissa

..:*:..:*:..:*:..:*:..:*:..

Melissa...

Fico feliz que tenha encontrado alguém pra você. Às vezes, uma cara de bebê e uma história de amor escondem alguém sem caráter, incapaz de nos fazer feliz. Espero que o Juliano tenha aprendido que mulheres são seres humanos e não coisas. E, como você, tenha encontrado alguém especial. Beijo pra você.
 
Domingo, Janeiro 27, 2008
 
SOS Gaby!!

basicamente ocorre que minha mãe é uma criança de seis anos. basicamente ocorre que, pra ela, tudo é um grande e cinematográfico drama. ela acha que amar é depender. então como eu e meu irmão não dependemos dela, a progenitora acredita que nós somos "diferentes dos outros filhos". porque na cabeça dela os outros filhos são super fiéis à mãe e extremamente devotos. que pagam as contas pra mamãezinha na Pernambucana (mamãezinha esta que é mulher feita e não consegue se organizar pra pagar as próprias contas no caixa, pelo amor de Deus!, ela tem 45 anos na cara!), que lavam a loucinha sagradamente e que penduram a roupa quando ela está na máquina de lavar, prontinha e limpinha. minha mãe sempre teve essa coisa de "precisar" da nossa ajuda pra tudo. até pra resolver os problemas nos namoros dela, que aliás eram fiasco atrás de fiasco, até pra isso ela precisava da nossa ajuda (teve uma vez que ela namorou um débil mental que só arrumava brigas por ciúmes e numa noite, eles vieram me chamar pra dar uma opinião sobre os conflitos imbecis deles, foi nojento)! a verdade é que minha mãe é uma criança de seis anos que procura colo o tempo inteiro nas pessoas erradas.

ela é de pedir dinheiro emprestado, de pegar as minhas maquiagens (porque tudo o que eu tenho é mais legal), de querer ficar amiga das minhas amigas (ela trocava scrap no orkut com uma delas, uma vez disputou a atenção de uma melhor amiga minha comigo e por aí vai), de querer atenção e eterna gratidão do meu namorado só porque ela dá caronas pra ele às vezes e faz uns almoços, minha mãe acha que eu tenho que ser amiga dela e ouvir as segredos dela sobre paqueras, sobre fofocas, sobre demitir ou não um funcionário (meu, ela é que tem 45 anos! não eu!)... e tudo isso, essa xaropice toda, essa cobrança chata de "eu quero depender de vocês e quero que vocês dependam de mim" fez com que eu e meu irmão fôssemos nos afastando dela. às vezes a gente fingi uma coisa ou outra só pra ela não ficar chiando porque se você diz "não, mãe, eu não quero pagar aquela sua conta pra você porque tenho as minhas próprias filas pra enfrentar" ou "não mãe, eu não tenho 30 reais pra te emprestar porque eu acho que é você quem deveria se organizar" ou "não mãe, desculpe, eu não quero ser sua melhor amiga, por favor, arranje uma amiga pra quem você possa contar sobre as suas paquerinhas, eu realmente não quero ouvir porque eu sou filha e não sua companheira de quarto, é estranho e desconfortável te ouvir falando de homem e de vontade de fazer sexo", se você diz qualquer uma dessas coisas pra ela, cara, ela surta. ela já ficou duas semanas sem falar comigo porque eu recusei uma negociata que ela me propôs! "filha, já que você vai ter que pegar táxi mesmo, me paga o que você ia gastar com o táxi que eu te levo". meu! olha que coisa de gente oportunista! eu não aceitei e ela ficou duas semanas sem falar comigo. "você nunca quer ajudar a sua mãe!!", ela berrou e bateua porta. não quero mesmo, não quando ela age como uma jogadora do bicho. ¬¬

aí a gente se afasta dela, a mulher ainda chora, joga as mãos pro céu e pergunta: "por quê, meu Deus, por quê!!". é simples, porque você é bizarra.

o meu namorado estava aqui hoje. ela simplesmente vira e pergunta: "genro, você pode pagar uma continha pra mim na Pernambucana?". ela queria dar o dinheiro e a fatura e queria que ele fosse lá efetuar o pagamento. eu olhei pra ela com a maior cara feia e disse que ele não ia pagar (pô, as calcinhas, sutiãs e blusas são dela!). ela deu um chilique absurdo e falou, na frente dele: "mas eu faço tanto favor pra ele, por que ele não pode fazer um pra mim??". você acredita que ela disse isso, Gaby?? que essa mulher louca, com 45 anos na cara, falou na frente do meu namorado que faz um monte de favor pra ele?? ela não consegue pagar as próprias contas, Cristo! é patético! foi lá, bateu a porta do quarto e se trancou lá dentro. gente, ela pede pra todo mundo pagar as contas dela da C&A, da Marisa, da Renner, da loja da Tia Gorda! Jesus, eu quase morri de vergonha! o meu namorado ficou super sem jeito, claro!, ela deixou ele numa posição totalmente desagradável! Jesus, todo mundo paga seus boletos nessa vida e enfrenta suas filas! por que minha mãe não consegue?? não é só ela que trabalha demais nesse mundo! hoje em dia, você paga as coisas pela internet, débito automático, correio, sei lá! mulher pidonxa. agora, como sempre, ela vai ficar duas semanas sem falar comigo. normal, estou acostumada já. depois ela fica chorando, perguntando pra Deus por que os filhos dela são diferentes.

e Gaby, não é querer fazer comparação, mas já fazendo. o meu pai é super legal nessa parte. ele é pai, entende. não é uma criança de seis anos que vive me pedindo as coisas. dá gosto de fazer as coisas pra ele porque meu pai nunca pede. quando ele pede, é até uma honra fazer. você se sente realmente filha com ele, sabe como é? com a minha mãe, cara, é um saco, porque ela precisa de todo mundo o tempo inteiro! ela nunca se vira sozinha, ela nunca resolve, nunca sabe o que fazer, ela nunca tem tempo porque trabalha demais e trabalhar demais é algo que a impede de fazer qualquer outra coisa, por isso ela precisa de ajuda pra viver a própria vida dela. EU ESTOU DE SACO CHEIO! você tinha que ver a cena que ela fez hoje com a história do boleto. um verdadeiro show, um chilique de primeira categoria. eu não suporto ficar perto dela às vezes. esses dramas que ela faz, toda necessitada, toda meus-filhos-não-me-amam. poxa, eu queria ter uma MÃE de verdade, uma MÃE normal, que orienta, que ajuda, que mostra o certo, que educa com paciência e carinho, e não uma irmã egoístinha, que cobra cobra cobra, é carente e dá chiliques o tempo todo de "meus filhos não fazem nada por mim". quanto mais ela é assim, mais eu quero distância dela. coitado do meu namorado... ficou tão sem graça.

o que que eu faço, Gaby?

com carinho, a Filha Sufocada.


querida Filha Sufocada.
no seu lugar, eu já teria explodido. acho que a solução é se mudar para a garagem.
beijos, Gaby.
 
Quarta-feira, Janeiro 09, 2008
 
a família do meu namorado foi embora pra Minas Gerais. todos os parentes da minha sogra são de lá. e ela desde que eu a conheço fala em voltar pra cidade, morar com toda a parentada num mesmo terreno, juntos pra sempre e aquela coisa toda totalmente interiorana. eles sempre falavam que iam pra lá, mas nunca iam efetivamente. aí nesse ano, eles decidiram. no começo, a gente achou que era mais uma conversa mole, mas que nada, era verdade, "no duro".
mais ou menos em julho essa história começou. e o meu namorado deixou claro desde então que ele não iria junto, que ficaria. agora você imagine o que é isso para uma mãe que sempre teve um relacionamento durepóx com os familiares, principalmente com o filho mais velho (que coincide de ser o homem com quem eu pretendia me casar). a minha sogra fez de TUDO o que você imagina pra ele ir, lógico, super no direito dela. chorou, fez chantagem, ameaçou passar mal, disse que ele tinha que ficar com a família para sempre... milhões de argumentos. sugeriu pra mim que "deixasse" ele ir, fazer a vida por lá pra depois vir me buscar. eu não disse nada desde o princípio. preferi observar a movimentação toda.

o menino bateu o pé e disse que ia ficar, que tinha planos de construir uma vida comigo. mas pra isso ele precisava de um emprego e lugar pra ficar. nossa, foi sofrido. a família pressionando de lá, eu tentando apoiá-lo daqui, ele correndo atrás das coisas e desesperado porque nada dava certo, a gente orando, pedindo pra Deus fazer o melhor... foi muita choradeira, muito stress, muita briga, muito pepino e desentendimento. a mãe dele fez tudo pra ele não ficar. e ele fez tudo pra ficar. e eu não fiz nada, só fiquei do lado dele, tentando ajudar, consolar... não foi fácil, chorei muito. achei que ele não ia conseguir. a gente leva tanto tempo pra encontrar alguém, puxa vida...

mas olha só. parece que Deus é a favor do casamento mesmo. tudo bem que está lá na Bíblia, em Gênesis 2:24: "Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne", mas na prática a gente nunca sabe como vai ser.

o que eu entendo, observando tudo o que aconteceu, é que uma hora a gente cresce e não dá mais pra ficar seguindo pai e mãe. você ama seus pais, claro que sim, mas todo mundo precisa seguir seu rumo, não é verdade?

apesar de pensar assim, te juro que pensei que o meu jaguara não ia conseguir. que ele ia ficar com a mãe e o pai. mas sabe... ele me surpreendeu. ele estava decidido e realmente batalhou pelo o que queria. e agora, ele está virando um puta homásso. que além de lindo, é cheio de hombridade. você disse no seu email: "É claro q ele tem vc e a sua família, mas família é família, né?". mas acho que isso é até que você casa e tem a sua própria família. essa é a diferença de quando você decide crescer e ser adulto. você olha pra frente, pro futuro, para o que você vai conquistar. e não para o que você já tem. porque quando a gente cresce, continuamos amando nossos pais, mas eles viram visitas de final de semana. porque agora quem importa mesmo são a esposa e os filhos. e chega uma hora na vida que a gente tem que escolher: ou eu corro atrás de mim ou fico estagnada no meu papel de filho. a decisão dói, claro que dói. mas é necessária e muito importante. claro que seria ótimo se todo mundo morasse na mesma cidade, se os meus sogros não tivessem ido... mas com o meu futuro esposo não foi assim, ele precisou escolher. e é essa decisão de hoje que vai a fazer toda a diferença no homem que ele vai se tornar amanhã.

não é fácil, viu... ele chorou bastante. mas tem ciência do quanto é importante esse momento. é o momento dele. é o momento em que Deus vira pra gente e pergunta: "você quer ser mais do que isso? quer ver como você se sai andando com as próprias pernas?". se você diz que sim, vai sentir muita dor e medo no começo, mas Jesus te ajuda, te segura, cuida de você, te dá força. e o futuro... te surpreende.

estou bem contente. ele sempre teve potencial pra ser um grande homem. é agora que eu vou vê-lo aparecer. não vejo a hora. chega de namorar um menino.
 
Segunda-feira, Janeiro 07, 2008
 
nesse final de semana que passou, o meu namorado veio almoçar aqui em casa. aí, depois de comermos, começou aquele momento TOTAL pançudo de campeonatinho de arroto. e como sempre, eu ganhei. eu sempre ganho (e confesso que me orgulho disso). após as minhas demonstrações chiquérrimas de talento nato, meu irmão virou para ele e disse: "cara, que beleza, hein. você namora um homem". na hora, fiquei indignada e reclamei, dizendo que eu era homem porcaria nenhuma e blá blá blá. então hoje no trabalho, fui contar para um amigo meu uma coisa que ele não podia contar pra ninguém. mas antes, eu o alertei da seguinte forma: "se você contar pra alguém, eu te dou um soco na boca. e você vai voltar banguela pra casa e daí quero ver arranjar desculpa pra tua esposa. vai ter que contar que apanhou de mulher". ele disse "fica tranquila, Gaby, relaxa", com uma cara de "beleza, beleza, mano". o comentário saiu tão natural que eu nem tchum. mas depois fiquei pensando... cara, eu acho que meu irmão está certo. eu tenho um jeito de homem às vezes. fui perguntar pro meu esposo o que ele achava, se eu tinha ou não, e ele riu. falou que eu sou meio mano sim, mas que ele gosta porque é a minha personalidade. acha legal eu não ser fresca, não ser como as outras meninas, gostar de videogame, arroto, piada caminhoneira...

mas mesmo assim... fiquei pensando. será que eu não deveria ser mais feminina? a minha mãe VIVE me xingando, dizendo que eu não posso ser desse jeito maloqueira, onde já se viu, tem que ser mais delicada, mais fina... eu nunca dei bola porque, bom, sei lá, é minha mãe, né. mães enchem o saco mesmo, é a função delas. só que agora eu entendo... pra quem vê, de fora, deve achar estranho. porque, quer dizer, eu me arrumo, uso maquiagem, mas arroto. isso chega a ser uma existência inadequada? é fogo.
 
Quinta-feira, Dezembro 27, 2007
 
isso nunca aconteceu com você? é que comigo acontece tantas vezes... eu estou passando por um momento difícil, desânimo total, dificuldades massacrantes, de repente eu ouço aquela música. e ela parece que entra em mim e aquela dúvida que vinha me consumindo parece que é respondida e todo o peso do meu coração desaparece. entra tantas vezes que isso me aconteceu, uma delas foi com Oh Happy Day. cara, a letra dela deveria tirar qualquer um da fossa.

mas a coisa mais legal aconteceu semana retrasada, só que com outra música. eu estava tão mal, com a situação do meu namorado. você tem idéia do que é o cara por quem esperou o resto da vida, que você ama tanto, de repente ter que ir embora pra outro estado longínquo e nem você nem ele poder fazer nada a respeito? pra ficar, ele precisava arranjar um emprego até um determinado dia. e o relógio está correndo, o namorado corre atrás de emprego que nem louco e nada, meu Deus o prazo está acabando!, e os seus sogros indo e nada de emprego... fazia dois meses que eu só chorava. dois meses chorando e com o coração apertado, com medo de perder o meu jaguarinha, a família dele também triste em casa, mas também rolando algumas brigas...! horrível. eu voltei a sorrir só na semana passada. tem noção? e porque eu ouvi essa música que eu sei que foi resposta pra mim.

eu coloquei pra tocar (recebi ela por email, bem nada a ver) e nossa... chorei pra burro. sabe, eu já vi Deus fazer coisas inacreditáveis na minha vida. e eu não sei porque duvidei agora. semana passada, o namorado conseguiu lugar pra morar (um amigo convidou ele pra dividir o apartamento) e ele já está trabalhando.

então, tem música que parece que fala com a gente. enche de otimismo e, com aquela letra simples, você compreende que não havia motivo suficiente pra ficar triste porque, no final, tudo fica bem.

já aconteceu com você?
 
Sábado, Novembro 17, 2007
 

Gaby...

sabe o que eu reparei namorando dois anos e meio? que às vezes, deixamos passar coisas graves que acontecem só porque amamos a pessoa ou porque não queremos briga. ok, vamos chama-lo de Bob. cara, quantas vezes Bob disse coisas horríveis pra mim em brigas ou me ofendeu ou fez brincadeiras estúpidas ou desconfiou de mim e eu deixei passar, pensando "ah tudo bem, ele ainda não amadureceu sobre isso". esse negócio de que o cara não amadureceu era sempre a minha desculpa pra fingir que não tinha visto que Bob tinha feito algo ou dito algo ou tomado certa postura em relação a mim que realmente me ofendeu. ele é mais novo, então a suposta "imaturidade" dele era sempre o que eu usava pra justificar os desrespeitos do meu namorado.

a gente meio que opta por ficar anestesiada.

houve um tempo em que Bob começou a ser MUITO grosso comigo. o tempo todo. e eu pensava "não, ele está nervoso com algo" ou "tadinho, ele é imaturo, não sabe lidar com os pepinos da vida dele e desconta em mim, está desempregado e tal..." ou "ele é imaturo, não aprendeu a lidar com mulher porque na casa dele, o pai dele é um insensível grosseiro e a mãe dele é uma infeliz, então ele está repetindo o papel do pai, não teve exemplo de relacionamento".

mas sabe, vou ser bem sincera com você. um dia, trocando uma idéia com Deus, eu me toquei de que Bob me deve respeito, independentemente da história de vida dele. não importa se o pai dele o ensinou a ser homem, não importa se o casamento dos pais dele é uma droga e ele só viu esse tipo de amor enquanto crescia, não importa, o Bob me deve respeito. porque eu o respeito, apesar da minha história de vida, que também não foi bolinho. meu, todo mundo tem uma história! atitudes como patadas, respostinhas atravessadas, piadas destrutivas, desconfianças, eu não tinha que aturar nada disso porque, graças a meu maravilhoso Deus, eu não fui encontrada numa lata de lixo. eu também tenho um papel importante nesse namoro e mereço respeito!

bom, parei de dar desculpinhas pra mim mesma. eu não tinha que livrar a cara dele pelos erros que ele cometia no namoro.

Bob, assim como o seu namorado, é imaturo em algumas questões, mas não é idiota, nem retardado mental muito menos criança. eles sabem MUITO BEM o que é certo e o que é errado. eles sabem MUITO BEM que amar exige ESFORÇO. eu não consigo ser carinhoso? meu pai não me ensinou? tudo bem, é um saco, mas é a vida. eu contorno isso, me esforço e APRENDO a ser diferente. porque eu não sou feito de madeira. eu sou um ser humano que tem capacidade de fazer escolhas e, através delas, posso evoluir.

resultado? comecei a exigir respeito, amiga. quando Bob começava com idiotice, eu cortava na hora. muito séria, eu virava pra ele e dizia: "eu não gosto desse tipo de atitude. por favor, gostaria que você não fizesse mais essas coisas. eu sou ou não sou a mulher da sua vida? você me ama? quer casar comigo como você diz, Bob? então me trate de acordo com o cargo que eu ocupo. eu não aceitei você na minha vida pra ficar recebendo patada ou julgamentos injustos. se continuar assim, o nosso casamento não dura um mês. e eu zarpo fora porque antes de te amar, eu amo a mim". não aceitei mais nem uma grosseriazinha, nem uma piada idiota, nem uma desconfiança. NADA.

quer dizer que eu comecei a arrumar briga a toa ou fiquei arrogante? não. mas comecei a fazer ajustes, Gaby. falei pro Bob que, quanto mais a gente faz uma coisa, melhor ficamos naquilo. namorar tem que ser assim também. quanto mais tempo eu passo com você, mais eu te conheço, mais sei do que você gosta e não gosta, então mais feliz eu vou te fazer. foi isso que eu implantei no meu relacionamento. a gente nunca mais brigou, amiga. agora nós conversamos quando algo nos incomoda:

- Silvana, eu não gostei daquilo que você disse ontem.
- Ué, por quê?
- Porque ficou parecendo isso, isso e isso.
- Ai Bob, puxa vida, me desculpe. Nem percebi.

exige humildade, reconhecer que nem sempre a gente acerta, mas é muito saudável.

o que eu quero dizer com isso, mulher, é que talvez você devesse questionar sim os comportamentos do seu ex-namorado (já que vocês continuam próximos). impor respeito. como ele ousa desconfiar de você? poxa, ele pensa que você é o que? vagabunda? que namora e sai traindo com o primeiro que te chama de 'minha linda'?? talvez fosse o caso de você dizer "Fulano, eu te amo. e sei que você me ama, portanto eu exijo respeito assim como eu te respeito. eu não sou mulher da vida, você não me encontrou na esquina, já te provei milhões de vezes o quanto você é importante. está desconfiando ainda por quê? parece que não me conhece, cara. parece que namora comigo há um mês. pô, supera! vamos ser feliz!".

imaturidade não é desculpa. nunca é. como sua amiga que também tem namorado e já passou pelos mesmos tipos de stress, te garanto: nada justifica o desrespeito. NADA. se ele é imaturo e inseguro, ele que trate de se ajudar. e parar de apontar o dedo no seu nariz como se você fosse uma qualquerzinha, que sai dando em cima de todo mundo. eu, no seu lugar, ficaria ofendidíssima, amoguéco. de verdade.

estou te dizendo tudo isso porque acredito que o seu namoro tem jeito. mas o rapaz precisa colaborar. ele tem que resolver dentro dele se ele confia ou não em você. separar o que é "ranso" que ele carrega e o que é realidade. se você deu motivos reais pra ele achar que você trai, aí vou concordar com ele. senão, nada feito. pelo o que você me contou, é tudo pira da cabecinha dele... então ele que faça o favor de superar a paranóia e se transformar em um homem de verdade, que se garante por saber tratar a mulher que ama. crescer também é uma escolha, meu anjo.

mas caso você tenha decidido que não quer mais o rapaz, tudo bem. leve esses conselhinhos pra sua vida, nêga. desconfiança é desrespeito. e desrespeito não se negocia. é não admitir. e ponto.

pensa nisso.

Silvana.
 
Quarta-feira, Novembro 14, 2007
 
fazia dois anos que eu fazia terapia com a Denise, psicóloga. então quer dizer, a mulher já era tipo amiga pra mim. ela me adorava. pra ter uma idéia, um dia, no final de uma sessão que eu tinha chorado muito e estava mal pra caramba, ela me levou pra tomar lanchinho na casa dela (o consultório ficava no andar de baixo e a casa dela no andar de cima). eu tinha MUITA consideração pela Denise e ela dizia que tinha um carinho especial por mim, que eu não era como qualquer paciente, que ela nunca tinha levado ninguém na casa dela pra tomar lanchinho (eu lembro que tinha até uva itália)... enfim.

e ela acompanhou DIVERSOS dos meus casos amorosos. a área amorosa pra minha psicóloga era sempre difícil porque, na opinião da senhora, homem nenhum prestava, todos eram cacos, ninguém nunca estava aos meus pés. eu percebia que isso era algo mal-resolvido dela, mas deixava pra lá porque não me atrapalhava. mas quando eu comecei a namorar, a coisa pegou.
eu conheci o Anderson (namorado) e a Denise acompanhou a nossa aproximação, até que uma bela tarde eu cheguei lá e disse: "Denise, estou namorando". juro que pareceu que ela não gostou. e no final da sessão ela solta: "bom Gaby, eu acho que esse namoro não dura um mês, porque esse garoto é pouco pra você, mas tudo bem, vamos ver no que vai dar". depois disso, eu não voltei mais. porque entendi que a Denise tinha chegado no limite dela e passado tudo o que podia pra me ajudar. como eu ia falar do meu namoro se ela não acreditava nele e já tinha dado a sentença? ela ia sempre concluir que eu deveria terminar. então parei de fazer terapia com ela.

cada uma.
 
Sexta-feira, Novembro 09, 2007
 
E quando você acha que já viu de tudo, você descobre que viu porcaria nenhuma.

Hollywood não é só glamour, meus queridos! Lá também tem assalariados.
Os roteiristas de Hollywood obrigaram os estúdios de TV a suspenderem a produção de pelo menos sete sitcoms (os seriados engraçadinhos) do horário nobre, mostrando que os efeitos da greve, iniciada há três dias, estão se fazendo sentir mais rapidamente do que o setor previra.
Não houve sinais de retomada das negociações entre os estúdios e os sindicalistas, suscitando temores de que a primeira grande greve em Hollywood nos últimos 20 anos possa ser prolongada.
A produção parou em seriados como "Two and a Half Men", da CBS, e a popular sátira da NBC "The Office", e centenas de membros do elenco e equipe técnica desses seriados começaram a receber avisos de demissão.

Mas o que mais me animou nessa notícia foi saber que "The New Adventures of Old Christine", um seriado que eu particularmente acho inútil e sem propósito, entrou no balaio dos sem-episódio. Deixemos de lado as grandes corporações e pensemos sobre os seriados como um todo que são transmitidos. Esse poderia ser um excelente momento para os chefões refletirem sobre algumas tosqueiras que são veiculadas estilo Men In Trees, The OC e Gilmore Girls (os dois últimos, graças a Deus, acabaram).

Algumas já têm episódios novos prontos em número suficiente para durar mais algumas semanas sem apelar para reprises, fato que faz a maioria dos telespectadores até agora não ter consciência da greve.
Mas os cinegrafistas, cabeleireiros, assistentes de produção, eletricistas e outros membros das equipes técnicas desses programas agora se juntam aos 12 mil roteiristas sem trabalho desde que seu sindicato entrou em greve contra os grandes estúdios americanos de cinema e televisão, na segunda-feira.

O contrato de três anos do sindicato dos roteiristas chegou ao fim na quinta-feira. Os roteiristas reivindicam uma parcela maior da receita dos programas na Internet, amplamente vista como canal de distribuição da maioria dos produtos de entretenimento no futuro.

Abriu precedente. Hollywood está ferrada. Oh yeah baby.
 
Segunda-feira, Novembro 05, 2007
 
01. Existem biscoitos feitos de água e sal. O mar é feito de água e sal. Logo, o mar é um biscoitão. 02. Quanto mais comemos, mais defecamos; Quanto mais defecamos, mais emagrecemos; Logo: quanto mais se come mais se emagrece.
03. Sabe-se que as baratas sobreviveriam a uma guerra nuclear. A esperança é última que morre. Logo, a barata é o símbolo da esperança!
04. Hoje em dia, os trabalhadores não têm tempo pra nada. Já os vagabundos têm todo tempo do mundo. Tempo é dinheiro. Logo, os vagabundos ganharão mais dinheiro do que os trabalhadores.
05. Imagine um pedaço de queijo suíço, daqueles bem cheios de buracos. Quanto mais queijo, mais buracos. Cada buraco ocupa o lugar em que haveria queijo. Assim, quanto mais buracos, menos queijo. Quanto mais queijos mais buracos, e quanto mais buracos, menos queijo. Logo, quanto mais queijo, menos queijo.
 
Domingo, Setembro 16, 2007
 
conversa entre amigas

- ele representa tudo o que eu idealizo, e por mais porco que ele seja comigo... eu sei que ele pode ser a pessoa mais legal do mundo, e eu queria tanto que fosse comigo.
- posso ser sua amiga? *amigo é aquele que fala a verdade, e não o que o outro quer ouvir*
- à vontade.
- bom, primeira coisa: ele representa o que você idealiza, você disse. se você IDEALIZA, é porque não é real. você julga esse rapaz baseada num conceito que está SOMENTE dentro da sua cabeça.
- mmmm.
- segunda coisa. ele é porco. ponto. porcos não são legais. porque até a legalzice deles é pra comer mulher. a não ser que eles conheçam Jesus e tenham as vidas transformadas, porco é porco. fato. terceira coisa. a carência move o mundo. isso quer dizer que por carência a gente faz e pensa muita coisa estúpida. você está carente e a intensidade dessa lacuna é tamanha que você começou a acreditar que vale a pena se entregar para um imbecil, desde que o buraco seja tapado.
- mmmm.
- quarta coisa. você é uma moça de muito valor. você é especial. e não precisa ficar desfilando na frente de um sem caráter desse pra tentar convencê-lo de que você presta e que não é como as outras. "olha, Fulano, eu sou uma moça pra casar! olha olha". ele NUNCA vai te enxergar porque a história de vida dele, e o caráter duvidoso que ele tem, não o permitem.
- mmmm.
- quinta coisa. existem homens bons por aí, amiga. a gente começa a atraí-los quando começamos a cuidar dos nossos conteúdos e a nos dar mais valor. quando a gente atrai caco é porque estamos um caco por dentro. é como ir ao mercado com fome. você compra a primeira porcaria que te aparece na frente.
- você falou tudo.
- então, mocinha, pare de pensar tanta asneira. a gente entrega o nosso coração pra qualquer um porque não sabemos o que fazer com ele.
- é tudo porque eu não me dou o valor... preciso ouvir ele me chamando de "gostosa" para conseguir me achar bonita.
- te digo isso tudo porque também já pensei assim. é como eu disse: a gente entrega o nosso coração pra qualquer um porque não sabemos o que fazer com ele.
- exatamente.
- então toma tento, guria. se liga, acorda pra vida. idealizar só funciona em filme. olha pra você, olha pra quem você é. você não foi encontrada em uma latrina. você é linda, especial, querida, divertida. administra a carência dentro de você porque homem NENHUM supre a carência da gente. não pense que eles resolvem os nossos problemas. pelo contrário. porque quando a gente começa a namorar, descobre que o outro tem mais carências do que a gente. dá um trabalho do caramba.
- é verdade. quando a gente está a procura de um namorado, tudo faz parecer que com um a vida vai melhorar, mudar completamente... eu preciso mesmo é estar bem comigo mesma, e sempre tive dificuldades com isso.
- quem não tem? só Jesus pra nos ensinar. porque Ele sim nos ama.
 
Quinta-feira, Junho 28, 2007
 
tudo isso, na verdade, começou depois que eu conheci um certo rapaz. toda esta vontade de ser melhor, é claro, tinha que envolver um amor. mas sabe, eu não dou a mínima em ser clichê, desde que este sentimento acrescente. meu Deus, precisa edificar. se alguém, com quem você trocou beijos na boca, passou pela sua vida e não causou nenhum tipo de mudança... sinceramente, eu nem acho que isso é possível! marcas ficam, a não ser que você seja feito de telha. o que foi dito, demonstrado, tudo colabora para o que você passará a ser.

enfim.

o negócio é que, no meu caso, o amor não passou. continua vivinho e latejante. portanto, vamos a parte prática. o negócio aqui é meio urgente. momento de revisar tudo o que acreditei até aqui (que eu sabia tudo e que era imune a carências afetivas, por exemplo). afinal, para fazer alguém feliz, você precisa estar em dia com os seus sentimentos, precisa estar psicologicamente saudável. e, sabe, eu não estou. pelo menos, não estava. não estava porque, juro, já percebi mudanças. por isso, vou recorrer ao tempo passado para relatar o impasse.

a verdade é que eu estava impregnada pelos meus pais. olha lá eu me justificando em casa e, enquanto falo, posiciono os meus dedinhos da mão do lado esquerdo do rosto, meio que na bochecha meio que no canto da boca, IGUALZINHO meu pai faz. ou, durante uma discussão familiar, faço aquele mesmo olhar de reprovação-misturado-com-nojinho, IDÊNTICA a minha mãe.

você acha que as intoxicações param por aí? de jeito nenhum. é mais profundo, vai lá no âmago, contamina os meus comportamentos.

tudo bem, sem conversa fiada, vamos a parte prática.

a questão é que o meu amor, aquele certo rapaz, anda desfrutando da minha versão shampoo 2 em 1 (pai e mãe em mim) como quem toma um suco de couve-flor asiática. blé. citar momentos para ilustrar? ahm, ok, deixe-me pensar. ah, já lembrei de um. na hora de discordar sobre algo geral, como política, visões bíblicas etc, rola uma tendência da minha parte em desprezar, de forma baixa e prepotente, o pensamento do outro. no primeiro diálogo deste tipo, o outro engole. no segundo, se irrita porque não quer ser anulado. no terceiro, me manda ir cagar. tosco.

no começo, a gente ama a qualquer custo. depois, é como se tivéssemos contas a acertar com o amado. fogo.

eu me sinto meio repetitiva experenciando isso tudo porque não é a primeira vez que eu me pego recorrendo às personalidades dos meus pais para reagir aos eventos da vida. só que agora ou vai ou racha porque, aloooou, eu estou perdendo um grande amor aqui!

eu não tenho a menor idéia do que devo fazer. em contrapartida, tenho uma noção bastante abrangente do que eu NÃO devo. mas sabe, esse chute na bunda que eu levei da vida (quando me toquei de que a minha identidade secreta é a Dona Florinda, do Chaves) já está gerando transformação de caráter. afinal, são dores que purificam.

eu estou otimista. acho que consigo reconquistar meu brotinho. ai que saudades dele.
 
Quarta-feira, Abril 04, 2007
 

O retrocesso da briga familiar

Por anos da minha vida eu odiei o meu pai. Anos. Eu cultivava uma raiva por ele como se fosse um jardinzinho. Todos os dias, eu regava, adubava, colocava no sol e a minha florzinha de ressentimento ia crescendo um pouco todo dia, linda e formosa.

A minha birra se justificava com o fato de o meu pai não ter me confirmado como pessoa nem como mulher. Para mim, ele não me amava, afinal, não demonstrava nenhum sinal para que eu pensasse o contrário.

Entre nós, não existia o mínimo diálogo. Quando ele se propunha a conversar comigo, era para me cobrar alguma coisa ou para me lembrar o quanto eu era irresponsável por ter esquecido a data de pagamento da faculdade ou desorientada por não ter noção de ruas e bairros. Lembro até hoje das vezes em que ele levou a mão à testa, indignado, e me disse, repetidamente, "Gabriela, meu Deus, como você é perdida! Por favor, se esforça pra pensar, ser burrinha não é bonito, sabia??". Aquilo entrava em mim e era absorvido pelo meu coração como água na toalha.

E claro, isso tudo só reforçava a minha raiva. Eu gritava com o meu pai, batia o telefone na cara dele e sempre que podia, o lembrava, aos berros, da droga de pai que ele era.

Eu não vi acontecer, mas com o passar do tempo, a única referência que eu tinha dentro de mim era esse sentimento obscuro. Algo negro que só crescia em meu interior e que, sem eu notar, consumiu a minha personalidade. Eu vivia em função desta mágoa.

Além de ter sido uma pessoa amarga já a partir dos meus 14 anos até os 19, os meus conceitos de homem e mulher foram completamente distorcidos. O que meu pai representava em minha vida (abandono, dor, frustração) passou a ser regra e eu comecei a associar o que eu vivia em casa com os outros homens.

Peguei nojo do sexo masculino já cedo. Na minha opinião, eram todos uns crápulas insensíveis e imprestáveis, que estavam neste mundo com uma única finalidade: me machucar. Eu sentia que precisava ficar longe de todos eles se quisesse sobreviver e ser razoavelmente feliz.

Ao mesmo tempo, eu cultivava paixões doentias por homens idealizados e inalcançáveis, como atores e líderes de banda. Passava o dia idolatrando fotos na parede. Vivia em um mundo paralelo e irreal, em que eu conversava com príncipes imaginários e passava por experiências que tinham saído diretamente da minha imaginação e nada tinham a ver com a realidade. A forma que eu arranjei de suprir toda aquela carência que eu nutria de uma presença masculina em minha vida.

O meu papel de mulher também sofreu prejuízos. Como não havia sido confirmada pelo meu pai, sem nunca ter ouvido um "filhinha, como você é bonita" e coisas do gênero, cresci achando ser uma planta aquática: assexuada. Sem forma, sem cor, sem brilho. Eu era mulher, mas não me sentia como uma. Me vestiria, na época, com um saco de estopa se pudesse. Tudo o que eu queria era me esconder.

Tudo por causa de uma relação mal-resolvida com o pai.

Foi então que eu conheci uma pessoa. E enxerguei todas estas coisas.

A primeira coisa que percebi era que, por causa da lacuna que eu carregava, me transformei em uma demanda tão grande e pesada, que meu pai, vendo que não conseguia dar conta, passou a se sentir sufocado e a fugir do nosso relacionamento.

A segunda coisa que entendi é que o papel de pai perfeito, aquele dos meus sonhos, jamais poderia ser desempenhado pelo Seu Cláudio. Ele, como ser humano, também tinha limitações, carências e frustrações, que, em alguns casos, o permitiriam ser ótimo, mas em outros o impediriam de ser amável e compreensivo.

A terceira revelação que tive veio quando estava lendo a Bíblia, em Efésios capítulo 6, já nos primeiros versículos: "Filhos o dever cristão de vocês é obedecer ao seu pai e a sua mãe, pois isto é certo. (...) Faça isso a fim de que tudo corra bem para você, e você viva muito tempo na Terra". Eu entendi o que estava por trás da letra.

Vi, como em um filme, todo o tempo que eu perdi cultivando sentimentos destrutivos pelo meu pai. E como eu poderia ter sido muito mais saudável se tivesse simplesmente seguido a palavra, honrado o meu pai e entendido que ele merece ser respeitado não por quem ele é, mas sim pelo cargo que ele ocupa em minha vida.

Hoje, vejo claramente que toda aquela carência e aquele vazio, o meu pai da Terra não seria capaz de erradicar. Mas o meu Pai do Céu, ah, este sim é capaz de me resgatar do lodo e me transformar em alguém diferente.

Eu precisei ser restaurada. Minhas opiniões foram remodeladas, meus pontos de vista refeitos e minha capacidade de amar aperfeiçoada.

Percebo que, por causa de um relacionamento patológico em família, algumas pessoas não conseguem progredir e se permitirem ser seres humanos melhores. Cuidado. Angústia e ressentimento se transformam em obstruções.

Lendo a Bíblia, em Mateus, percebi que Jesus entendia do psicológico humano. E falava com propriedade quando o assunto era pai. Ele sabia que, sem um relacionamento de respeito em casa, o caráter de um filho pode ser corroído com facilidade.

Abrir mão dessa dor e entregá-la nas mãos dEle é a resposta.

Talvez você não acredite. Não tem problema, eu te amo e respeito mesmo assim.
 
Domingo, Fevereiro 25, 2007
 
nos últimos dias eu estou meio esquisita.
eu estou repensando o meu jeito de ser. descobri muitas coisas na minha personalidade que precisam ser mudadas. coisas que sempre magoaram as pessoas que convivem comigo. e eu estou em crise, meio tristona, tentando ser diferente, mas ao mesmo tempo perdida porque eu nunca fui outra coisa. eu sei que tenho que mudar atitudes, mas não sei o que colocar no lugar delas. então eu continuo cometendo os mesmos erros, só que agora consciente de que os estou cometendo. aí eu sofro porque fiz e, pior, porque ainda não sei fazer de outro jeito. não sei se deu pra entender.
 
Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007
 
eu não queria ser rica

- meu pai é um problemático. acha que a gente vai explorar ele. eu não quero aquele dinheiro dele, não. já meu irmão e minha mãe... nossa... acham que ele tem que dar as cuecas pra gente. bando de folgado.
- teu irmão acha isso?
- meu irmao já falou várias vezes: "eu não quero saber o que meu pai faz com o dinheiro. eu só quero a minha parte". meu irmão é um idiota, que vive de sugar os outros. em casa, come tudo o que está na geladeira e vai embora pra casa dos amigos. volta uma semana depois, faz a mesma coisa e some de novo. agora, está aparecendo mais porque tem internet a cabo em casa.
- mas a maioria dos filhos pensa isso mesmo. ainda mais quando o pai tem dinheiro.
- sabe, eu não acho que pai não tem que dar absolutamente nada. não é isso. só que pô, o meu irmão é um merdinha! que não quer saber de dar duro na vida e quer ter mesada até os 40 anos de idade.
- eu acho que você não devia se incomodar com isso, porque futuramente isso terá uma conseqüência e quem sabe o seu irmão e a sua mãe entendam...
- ver ele e a minha mãe metendo o pau no meu pai como se ele tivesse de ser punido por ter dinheiro... revolta.
- sendo bem sincera? eu acho que não pensaria como você na sua situação. ninguém pensa como você. a galera é folgada mesmo.
- às vezes dá dó do meu pai. ele é tão molenga...
- bom mas não tem o que fazer, tem?
- e minha mãe, NOSSA! ela é a PIOR de todas! não sei como pode meu pai ainda ser casado com ela! cara, que mulherzinha sanguessuga! e outra: se meu irmão é esse merdinha hoje, que não consegue concluir nada na vida e é um folgado, parte da culpa é dela! além de ela ter nos ensinado a odiar meu pai e a querer o dinheiro dele, ela fica protegendo o meu irmão. ele caga, ela limpa, ele caga, ela limpa. ele NUNCA arca com a conseqüência de nada!
- entendo. agora é um bunda mole.
- família e dinheiro juntos só dá merda.
 
Domingo, Janeiro 28, 2007
 
Olá Gaby...

antes de escrever qualquer coisa, eu quero puxar a sua orelha!! COMO ASSIM NÃO FALA HÁ UMA SEMANA COM O SEU NAMORADO, MOCINHA?! Menina, não pode! esse tipo de atitude no namoro não pode de jeito nenhum. mata o sentimento. eu sei que às vezes dá vontade de esganar, de chutar, de nunca mais falar pra ver se aprende, mas Gabyzinha, pelo amor de Deus, uma semana? não pode! tem que sempre optar pela humildade. orgulho mata todos os sentimentos bons que a gente tem pela pessoa. e pior, quando fazemos essas coisas, a tendência é sempre piorar. na próxima briga, um joga pra 6. na próxima, o outro joga pra 9. quando chegar no 12, meu Jesus, já está aquele show de desrespeito. eu não sei como é o seu namoro, mas se sempre é assim, tome o passo e mude isso já. o Vanderlei era assim no começo. orgulhoso que parecia um pedaço de pau. ruim ruim ruim. não dava o braço a torcer. desde o início, eu quebrei isso nele (senão, eu quebrava era ele!). quando brigávamos, eu sempre mostrava pra ele que a gente podia resolver sem essas bichisses de virar a cara um para o outro. quando ele insistia, eu era mais dura. pô, vai desrespeitar a avó! me ama? então aja de acordo com o sentimento que carrega! amar não é só ficar se amassando não. é ter a humildade de sentar e resolver pepinos com dignidade, sem ficar dando showzinho. Gabyzinha, ouve o que a véia aqui diz. não caia na besteira de dar uma de macho e de ficar disputando pra ver quem cede primeiro, quem dá o braço a torcer primeiro, como se isso fosse humilhação, como se ter a iniciativa pra resolver a briga fosse coisa de maricas. sabe por quê? porque você não vai conseguir sustentar isso por muito tempo. ninguém consegue. e quando você perceber que não consegue e quiser consertar o namoro e quiser conversar com o seu namorado sobre isso e quiser que tudo seja diferente, vai ser tarde demais. porque vai ser tanto orgulho envolvido que você não vai saber por onde começar pra tirar toda essa água azeda de pepino em conserva. e o sentimento que vocês têm um pelo outro vai ficar difícil de localizar em meio a tanto azedume. acredite, eu passei por isso com o Vanderlei. e foi doído pra burro. ligue pra ele, converse sobre isso. namorados devem ser parceiros. e não arqui-inimigos. mesmo nos momentos de briga. hoje, a minha briga com o Derlei dura dois minutos, graças a Deus. por que dois minutos? porque é o tempo que a gente leva hoje em dia pra resolver as coisas.

e sabe Gabyzinha... sobre você achar que nasceu pra ser o homem do relacionamento, é, eu também achava a mesma coisa. eu também achava que nenhum homem podia comigo porque eu simplesmente nasci pra ser machona. mas sabe o que eu descobri depois de chorar e sofrer que nem uma cadela? que mulher nenhuma nasceu pra ser homem no relacionamento, Gaby. o que existem são mulheres autoritárias e homens bananas. quandos esses dois se encontram, parecem que dão certo, mas te garanto que não dão. primeiro porque essa panca de mulher machona, que resolve e comanda, uma hora enche o saco. em algum momento, você vai querer que o seu namorado seja homem e resolva e tome a frente e faça o convite e te galanteie e te faça se sentir valorizada e protegida e tenha iniciativas. homens bananas, que simplesmente obedecem a mulher, não fazem essas coisas. porque ficam sempre na retaguarda, esperando as ordens.

isso quer dizer que mulheres são fracas?? não. elas são frágeis. e há uma grande diferença entre fraqueza e fragilidade.

se você exerce esse papel de machona hoje, querida, repense. não porque você está pecando ou algo assim, mas porque mulher é mulher e homem é homem. cada um com os seus papéis. e quando isso é misturado ou deturpado, há frustração. eu mandava no meu relacionamento e, ao mesmo tempo, exigia que o Vanderlei fosse carinhoso, tivesse iniciativas, me convidasse pra sair, porque na verdade eu me sentia muito desprotegida. mas como ele ia fazer essas coisas se eu mandava em tudo??

não queira ser a machona no namoro, querida. não leva a nada. hoje parece que você tem um talento pra isso, mas com o tempo você vai ver que essa sua atitude tem um motivo por trás. e com o tempo, você só vai se frustrar e arrumar pra cabeça porque homem quando é podado, quando é anulado, vai se transformando em uma ameba imprestável. as minhas brigas constantes com o Derlei também tinham a ver com isso. porque ele não queria ser esse homem inútil. ele queria poder me conquistar, fazer eu me sentir a gatinha dele (tempos bons aqueles quando as coisas ainda estavam em pé huhuhu)... e eu não deixava. eu parecia um general. "vamos conversar sobre isso. faça isso. me ligue. meu Deus, mas você nunca me convida pra nada. eu sei o que é. você está assim por causa disso, disso e disso. vai lá e ligue. pergunte. deixa que eu faço". manja? o cara vai se sentindo um imbecil, com a auto-estima lá embaixo. como ele ia querer me conquistar?? eu simplesmente brochava o lado homem do Derlei!

o mais engraçado é que tudo é tão sutil e parece funcionar tão bem, que você não percebe os erros e vai levando a vida assim. mas quando eu me toquei disso e pedi perdão pro Vanderlei, por todas as vezes que o esmaguei como homem, que o fiz se sentir um merda, um nada, um incapaz, que não presta pra resolver nada, ele chorou, Gaby. chorou emocionado e aliviado. e disse: "será que eu posso cuidar de você agora? será que você me deixa ser o homem aqui?".

te garanto, nega. melhor coisa é você ter ao teu lado um homásso gostoso, que faz você se sentir amada, protegida, que fala coisas como "não se preocupe, eu estou aqui com você". nossa, melhor coisa! com cara macho, a vida é outra! eu cansei dessa vida de patroa. não nasci pra isso, não. pra descarregar essa minha vontade de mandar, vou ver se arrumo uma vaga de chefe em alguma empresa. HOHO. mas no Derlezinho eu não mando mais. tá louco. nunca deu certo, então é porque não foi feito pra ser assim. gosto muito mais dele agora, todo homem... afe me abana.

com carinho, tia Silvana.
 
Domingo, Janeiro 21, 2007
 
Bom, tudo começou com o meu namoro. Há algum tempo que eu andava insatisfeita com o meu relacionamento. O Lucas havia se tornado um cara orgulhoso, frio e negligente fazia uns dois meses e eu não entendia o motivo daquilo. Era como se no nosso namoro tivessem surgido segredos, assuntos dos quais nem eu nem o Lucas conseguíamos conversar. Eu estava infeliz com a postura dele de namorado-que-não-se-importa e ele também parecia insatisfeito com algo que eu não sabia bem o que era (justamente porque os segredos estavam começando a surgir).
Nesses dois meses eu tentei conversar com o Lucas sobre o assunto, mas como conversar sobre algo que você não sabe definir o que é? O que eu sabia era que eu estava infeliz, me sentindo abandonada e desprotegida, sem comentar, é claro, o fator mal amada.
Nós sentávamos para conversar, mas era sempre um fiasco. Porque eu começava a falar de algo que estava me incomodando sem saber muito bem o que era e ele começava a ouvir, com expressão de saco cheio, sem entender do que é que eu estava falando. A única coisa que eu sabia explicar eram os sintomas. "Lucas, eu estou me sentindo sozinha. Você não me dá atenção, não faz eu me sentir amada, protegida, eu sinto que não posso contar com você e blá blá blá...". Ele ficava confuso, pedia para eu citar uma situação específica pra ele entender o que ele fez que me despertou esse sentimento, mas a grande verdade é que eu não conseguia pensar em nada.
Com o passar dos dias, a angústia só foi aumentando. E nós dois nos afastando mais e mais, sem um motivo aparente. Então, resolvi encontrar uma explicação para aquilo tudo: o Lucas estava depressivo por estar sem emprego há um ano, afastado de Deus, por isso estava sendo um companheiro horrível. Era isso. Eu até tinha aqueles argumentos na manga de quem fez terapia por três anos: "as pessoas que estão depressivas se tornam egoístas porque não conseguem olhar para mais nada além da sua dor".
Apesar de este motivo não testificar no meu coração, eu continuei me apegando a ele (afinal, não tinha nada melhor para colocar no lugar). E a angústia foi aumentando absurdamente. Chegou um ponto em que eu só conseguia chorar e comer. Comer muito. Aliás, comer era a parte mais divertida do meu dia já que todo o resto estava uma droga. Quando eu e o Lucas conversávamos era sempre superficial, com um ar de cemitério, como se algo houvesse morrido. Os meus momentos de tristeza (portanto, necessidade de colo) eram completamente descartados por ele porque, para o Lucas, tudo havia se tornado uma grande e única reclamação. Eu apenas mudava o tema.
Paralelo a isso, as minhas exigências não paravam. Eu queria atenção, queria me sentir amada, queria provar para ele que a postura dele de frieza e indiferença estava matando o que eu sentia por ele.
O dia 24 de dezembro à tarde foi o ápice. Neste dia, ele começou a me dar um beijo na boca e eu comecei a chorar no meio do beijo. Ele parou, pareceu preocupado, perguntou o que eu tinha, o que tinha acontecido. Aos prantos, eu comecei a explicar, pela milionésima vez, o que eu estava sentindo: "Você pede por carinho?? Mas eu não me lembro de receber de você. Você ficou bravo hoje porque eu não quis te acompanhar a sorveteria com você, mas meu Deus, Lucas, você nunca me acompanha a lugar nenhum! Você nunca está do meu lado! Os meus problemas eu não sinto que posso compartilha-los com você porque é como se você não se importasse, não quisesse saber! Você não ouve! O namoro está terrível e você simplesmente não quer falar do assunto! Eu só consigo comer nos últimos dias porque é o único momento em que eu me sinto feliz". Eu não falei muito mais do que isso. Eu estava aos prantos. O Lucas ouviu tudo atentamente e, quando terminei, ele ficou uns 15 segundos em silêncio e disse: "Vamos comer alguma coisa?". Eu simplesmente não acreditei. Meu Deus, que insensível!!
A noite tinha festa de Natal na minha casa. Ele foi, mas não olhou na minha cara a noite toda. Estava bravo porque, mais uma vez, eu havia reclamado e cobrado coisas dele. Eu estava moída por dentro. Arrasada. Indignada com a insensibilidade dele.
No dia 25 de dezembro, almocei na casa dele e à tarde conversamos no quarto dele. Foi uma conversa muito difícil, em que eu ouvi da boca dele: "eu tenho que ser sincero com você, Fer. Eu não sei se posso oferecer mais do que isso". Então eu respondi: "então nós vamos ter que terminar porque eu quero mais do que isso". Quando eu disse isso, o Lucas parece que caiu na real e acordou. Porque até aquele instante, era como se ele acreditasse que aquilo tudo ia passar e, alguma hora, eu ia parar de reclamar tanto. Disse isso e já me levantei para ir embora. Ele se ofereceu para caminhar até o ponto de ônibus comigo.
Era feriado, a cidade estava completamente vazia.
No caminho foi um silêncio mortal. Chegando no ponto, o Lucas começou a chorar desesperadamente. Pediu perdão por tudo, disse que queria me fazer feliz, mas não tinha idéia de como fazer isso, que sabia dos erros dele, mas não sabia como consertar. Eu fiquei quieta ouvindo, chorando muito também, mas confesse que havia um certo ar de arrogância dentro de mim.
De repente, um temporal começou. Tão forte que o teto do ponto de ônibus não foi suficiente para nos mantermos secos. A chuva caía com força e, encharcados, nós choramos muito abraçados. Pra mim, naquele momento, tudo o que eu pensava era que aquele relacionamento havia terminado. Não tinha mais jeito. Nós tínhamos tentado, mas a nossa dificuldade em dialogar sobre o que sentimos estava impedindo que nós encontrássemos meios de sermos felizes juntos.
O Lucas pediu perdão por não ter conseguido ser o cara com quem eu sonhava, disse que nunca ia amar ninguém como me ama, que eu tinha mudado a vida dele... Nossa, foi horrível.
Fui pra casa e chorei. O tempo inteiro. Eu acordava chorando e ia me deitar em lágrimas. Até me acostumei com a expressão inchada que meu rosto adquiriu por causa do choro ininterrupto.
Dia 25 nós terminamos. No dia 27, a minha melhor amiga foi conversar com o Lucas no msn. Perguntou como ele estava e começou com umas conversas assim: "Lucas, esquece isso, vai cuidar de você. Essa é a hora de você investir em você. Vai atrás das tuas coisas, dos teus sonhos, esquece isso". No mesmo dia, ela me ligou pra contar sobre o que tinha feito. Fiquei irada. Fazia dois dias que eu tinha terminado com ele!! Eu não tinha a menor idéia do que eu estava pensando, do que eu ia fazer, do que eu queria que acontecesse, e ela simplesmente toma a frente e sai dando conselhos para o cara que eu amo?! Defendendo não os MEUS interesses, mas os de sei lá quem!!
Enfim. Dei um pito nela no telefone. Nem deixei ela terminar a história. Interrompi e disse: "Eu vou te dizer isso e somente uma vez: eu nunca mais quero que você tenha esse tipo de conversa com o Lucas". Ela ficou super assustada e perguntou por quê. Respondi: "primeiro, eu nunca teria esse tipo de conversa com os seus ex-namorados. Segundo, a situação é muito delicada pra você simplesmente dar a sua opinião. Terceiro, você é minha amiga, não dele. Quer conversar sobre o assunto? Conversa comigo".
E como tudo nessa vida tem uma causa e efeito, o resultado apareceu logo: o Lucas parado na minha porta, aos prantos, desesperado, perguntando como podia eu já tê-lo esquecido. Perguntei da onde ele tinha tirado aquilo. "Eu falei com a sua amiga no msn e ela me incentivou demais a esquecer tudo isso, a superar, a cuidar de mim... O que é que você disse pra ela? Que já me esqueceu?".
Acalmei-o e conversamos na sala aqui de casa. Ele falou, falou, falou, eu também fiz o mesmo, e no fim concordamos não terminarmos de uma vez por todas. O Lucas sugeriu que eu pensasse por um mês e, depois desse tempo, que sentássemos conversar de novo. Achei uma boa idéia porque eu não estava em condições de tomar nenhum tipo de decisão definitiva.
Olha, eu não sei em que momento tudo começou, mas as coisas foram piorando muito. Todas as vezes que eu e o Lucas conversávamos, acabávamos brigando. Era muita angústia, dúvida, insegurança e mágoa envolvida. Tanto eu quanto ele estávamos com medo do que acabaríamos descobrindo. "Talvez não seja para nós ficarmos juntos, talvez não seja essa a vontade de Deus", eu pensava e ele, com certeza, pensava também. Isso gerava muita ansiedade e, nas vezes que nos falávamos, brigávamos.
Até que um dia o Lucas me ligou. Ficamos umas três horas no telefone. O Lucas começou a desabafar sobre como ele se sentia no namoro, falar de sentimentos que ele nunca tinha exposto pra mim. Eu não sei exatamente em que momento da conversa isso aconteceu, o que eu sei é que, de repente, é como se tudo o que eu estava vivendo nos últimos dias não fosse nada daquilo. Fosse outra coisa. Sabe o que eu entendi naquele segundo? Que eu manipulei tudo esse tempo todo. Eu controlei tudo. Percebi que sou uma mulher cruel no namoro porque convivo com um sentimento de abandono. Como tenho certeza de que o Lucas vai me abandonar, acabo me vingando dele por uma coisa que ainda não aconteceu, mas, que na minha cabeça, é inevitável, vai acontecer. Aí o que eu faço? Crio situações, manipulo conversas ou causo reações no Lucas, para que eu fique brava com ele e pense "aí ó, está vendo?! É igual a todos, vai me abandonar também. Cretino".
Sabe quem foi a primeira pessoa que me abandonou? O meu pai. Hoje, conscientemente, eu sei que o meu pai não me abandonou, mas no meu inconsciente... Lá está a idéia da Fer de 9 aninhos, que sentia falta do pai porque ele se separou da mãe muito cedo e por isso nunca estava perto. Está no meu inconsciente também a Fer de 13 anos, que tudo o que conseguia ouvir do pai eram palavras de reprovação, como "mas você é mesmo muito burrinha, né Fer?!" e "meu Deus, Fer!! Você esqueceu de novo?! Como você é lenta! Nunca aprende! Perdida!". Tem ainda a de 17, que quando ia mostrar textos que havia escrito na faculdade, escutava do pai dela "tá, dá onde você tirou esse texto? Copiou da onde?".
Outra coisa que percebi a meu respeito é que eu não me permito ser frágil. O Lucas falava ao telefone "eu sempre quis cuidar de você, mas você nunca deixou. Eu sempre quis ser o cabeça, mas você sempre me atropelava com a sua inteligência". Inteligência... Isso pra não dizer arrogância. Entendi também que eu não me permito ser mulher, frágil, que precisa ser cuidada. Eu sou o cabeça. Eu penso como homem! Eu quero resolver, eu quero decidir, eu já detecto o erro no relacionamento, aponto a solução, coloco o plano em prática e ai daquele que não me seguir. Como fiquei assim?
Bom, paralela a está história do meu pai, estava minha mãe, agora divorciada, curtindo com os namorados dela e deixando pra lá esse negócio de cuidar de filho. Então, vendo-me sozinha e tendo que cuidar do meu irmão mais novo, entendi, desde cedo, que frente aos problemas da vida, temos duas escolhas: ou nos jogamos na lama e morremos de depressão, ou sobrevivemos e damos um jeito de superar aquilo. Não é o jeito mais correto de resolver, mas foi a forma que eu encontrei, quando pequena, de sobreviver.
Resultado? Hoje, eu penso que esse negócio de fragilidade é o mesmo que ser maricas. Horrível, eu sei... Mas a grande verdade é que a mulher não tem estrutura para ser o cabeça. Nós não temos estrutura psicológica. Eu estou cansada de resolver, de decidir... Eu quero ser cuidada.... Eu PRECISO aprender a ser cuidada.
E era por isso que o Lucas estava daquele jeito. Ele não agüentava mais as minhas exigências, os meus padrões, as minhas cobranças, a minha insistência em controlá-lo e moldá-lo do jeito que eu quero. Ele estava cansado de não poder ser ele mesmo no relacionamento, cansado de não poder exercer o seu papel, de ficar ouvindo as minhas ordens, sendo pressionado a cumprir minhas normas...
Eu chorei tanto no telefone. Me senti um monstro. É como se essa Fernanda não fosse eu, fosse uma outra pessoa que mora dentro de mim. Me senti horrível. Pedi perdão pra ele e ele chorou muito também. O Lucas já estava perdendo as esperanças porque achava que eu nunca ia enxergar isso.

Eu focalizei tanto nos defeitos dele, mas a grande verdade é que eu não queria ver os meus.

Pedi perdão pro Lucas e pedi pra voltar. Oramos juntos e pedimos pra Deus nos orientar desta vez.

Agora, eu preciso construir uma nova Fernanda. Essa sabe separar o papel de filha do de mulher. Como Deus é fascinante... Ele tira o pus para que a ferida seja tratada. Se eu não percebesse isso, jamais faria o Lucas feliz e jamais o deixaria me fazer feliz.
 
Quarta-feira, Janeiro 17, 2007
 
"vai Gaby, come um carangueijo!", com aquele tom de voz de cara macho e autoridade de um coronel.
"não, João, muito obrigada".
"mas por quê? não quer ou não gosta?".
"aah, na verdade eu...".
"porra, come Gaby!"

peguei uma patinha daquele bicho horroroso e fedido e coloquei na boca. até que era bom.

pode não parecer, mas o João gosta de mim. quer dizer, o cara é um ex-policial, totalmente fechado e emburrado. ninguém do trabalho conversa com ele e, os que conversam, o xingam por ele ser grosso. a testa está sempre enrugada, como quem fala "se me encher, eu soco". ar de cara macho. "o bom da ostra é pegar do mar e pôr na boca, quando ela ainda está se mexendo". comentário mais João impossível. no momento em que eu observava o João preparar os carangueijos, tirando-os vivos do isopor, pensei "essa garrinha do bicho deve arrancar o dedo de alguém. Jesus, quem é que põe a mão nisso?". o João põe. ele os tirava do isopor como se eles fossem de pelúcia. quando a água começou a ferver, fiquei com pena de vê-los se batendo na panela. soltei um "tadinhos...", susurrando. o João ouviu e rapidamente rebateu: "orra Gaby! é rango!". eu não sei se é possível acreditar no que eu vou dizer, mas o João tem um charme. sujeito diferente, estilo Chuck Norris, que se encontrasse na rua um orc, do Senhor dos Anéis, mandava ir a merda. e por alguma razão, ele se preocupa comigo. quer me proteger. "putz, João, e se eu ficar com sede?". ele diz: "Gaby (pausa). você está comigo", como que me dizendo que nada irá me faltar se depender dele. quando viu minha queimadura de sol no ombro, todo vermelho, deu um berro: "porra, Gaby! protetor solar, Gaby, pelo amor de Deus! eu tenho uma caixa de primeiros socorros, tem umas gosma lá que dá pra passar. eu vou pegar", sempre com aquele tom de macho. hoje, estava cheio de piada sobre o colega de trabalho que tem chulé. "aquele lá eu vou cortar o pé com uma motoserra! do jeito que fede o infeliz, deve ter chulé até no joelho!".

sujeito engraçado o João.
por trás disso, tem uma história.
parece cafona, mas quando paramos pra pensar no que alguém viveu, deixamos de elaborar qualquer tipo de julgamento. se o povo que o despreza, por ele ter esse jeitão mais azedo, compreendesse que ele não sabe se expressar por tanta porrada que levou na vida, talvez tivessem a paciência que eu tive e o conquistassem como eu conquistei.
sujeito profundo o João.
 
Terça-feira, Novembro 14, 2006
 
larguei a vida circense a cerca de um mês. percebi que não levava jeito para a coisa quando ganhei alguns colegas de aula no horário em que eu fazia (9h). eles conseguiam subir e descer do trapézio como quem sobe e desce do meio fio. absurdo. pra eu trepar naquele trapézio exigia de mim um empenho físico e uma determinação mental homéricos. depois de um mês tentando desenvolver uma facilidade para as tarefas no picadeiro, percebi que não tinha jeito. circo é divertido, mas... tem que ter tchan pro negócio. e tchan's artísticos nunca foram comigo.

além disso, eu precisava dedicar o meu único período livre do dia (a manhã), para a auto-escola (sim, eu estou no meio do processo de conquista da minha Carteira Nacional de Habilitação). e, bom, antes de virar uma craque no tecido ou no equilibrismo, eu precisava me tornar uma motorista. de preferência, habilitada legalmente.

então, larguei de vez o picadeiro. mas para não me mudar completamente para LazyTown, decidi que precisava fazer outra atividade física. sem saída, voltei às raízes: o spinning (para os mais finos, Bike Indoor). vida triste esta que eu estou levando, a de freqüentadora das aulas de spinning. será que sou só eu que acho que gritar diversos "woohoo"s durante o período de uma hora de puro massacre físico é muito, muito inoportuno?? talvez seja a bola de espelhos grudada no teto (aquelas de discoteca) e as músicas altíssimas as responsáveis por levarem as pessoas daquela academia a se comportarem como se estivessem na balada e não se esvaindo em suor em uma aula de ginástica. é engraçado de observar o nicho. sempre tem uma senhora enxuta, loira e com a barriga repleta de músculos salientes (e normalmente à mostra) sendo disputada por três ou quatro homens barrigudos e peludos, que usam de piadas (normalmente sem graças, que vão de metáforas como "ó hein gente, eu vou chegar em primeiro lugar!" até ataques a concorrência como "olha a pança do Betão! tem que pedalar até a meia-noite para dar resultado!") e de manifestações joviais (como "vamos lá, galera! força nessa perna que ainda tem muito pela frente" ou "oba, vamos prolongar essa aula até umas onze da noite, tá muito fraco isso aqui") para chamar a atenção da enxutona. pelo desespero e falta de originalidade, dá pra perceber o grau de carência.

aí tem a moça super hiper mega emperequetada que consegue a façanha de não derramar 20 ml de suor durante uma hora de massacre (quem faz spinning sabe do que eu estou falando) porque... sei lá eu por quê! ela sai exatamente como ela entrou: super hiper mega emperequetada.

é engraçado.
e deprimente.

chega. tchau.